por Rey Jr.

Em maio de 2008 a Wizards of the Coast prometeu uma nova edição de Dungeons and Dragons. E mais do que uma revolução, seria uma evolução. Parece que já ouvimos isto antes…

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    As noticias são muitas e os rumores correm ás toneladas, mas já podemos prever uma coisa: O D&D 4ª Edição será mais sombrio. Eu explico mais abaixo.
Antes, vamos tentar entender o PORQUE de se lançar uma Quarta edição apenas cinco anos depois de se lançar a definitiva Terceira Edição: Consideremos que passaram-se quinze anos entre a edição original e a segunda edição e outros quatorze anos entre a segunda e a terceira. Levemos em conta também que erraram a mão ao lançar a Terceira Edição recheada de “buracos”, sendo então obrigados a dois anos depois lançaram o famigerado 3.5. Na época do lançamento do 3.5 disseram: “Não é uma nova edição, são apenas algumas correções, erratas e melhorias para o jogo”. Creio que quiseram dizer “É uma evolução, não uma revolução”. Eu disse que havíamos ouvido isso antes.
O fato é que o 3.5 ajudou mas não consertou, muitas coisas ficaram um disparate outras coisas nem precisavam terem sido criadas: Meio-Orc aquático? Que nasce do envolvimento entre humanos e orcs aquáticos? Não obrigado. Até agora parece que só falei mal e sou um jogador recalcado, que reclama de tudo e todos, mas não é bem assim. Eu amo o D&D e por isso mesmo fico p&$% quando vejo algo errado. E o terceira edição tinha algo de errado, algo que não encaixava e eu nunca soube o que era. Mas mesmo assim eu sempre o considerei melhor que o AD&D, ainda que sentisse que faltava algo. Acho que desta vez vão acertar a mão.
Os “game-designers” da Wizards certamente perceberam a encrenca em que se meteram complicando o simples e prático sistema D20 - Jogue o D20 e role alto, some seus bônus e ultrapasse a dificuldade imposta - aliado ao fato de os acionistas da Wizards terem notado uma mudança no mercado e voilá! Temos um novo D&D. Sinceramente, acho que foi para o bem. Isto significa que o pessoal está atento ás mudanças e ouvindo as queixas de seu público. Os novatos não estão mais indo atrás da boa e velha fantasia medieval baseada em temas épicos como “A História sem Fim”, “As Crônicas de Nárnia”, “Brumas de Avalon”, apesar deste segundo, juntamente com o Senhor dos Anéis terem atraído atenção devido aos filmes. Na minha humilde opinião, deveriam ter atraído a atenção devido aos livros, por si só.
Parece que a molecada hoje em dia gosta de algo mais mórbido, mais frio, mesmo apesar do “boom” que mencionei acima. (Aliás S.d.A., mesmo em filme, não é uma das histórias mais alegres já contadas). E digo isto sobre o sentimento melancólico geral tendo em vista inclusive o empobrecimento na música, no cinema e na programação infantil dos dias de hoje. Quantas bandas melancólicas de olhos pintados você pode se lembrar, atualmente? Quantos desenhos que trazem tudo mastigado e não inspiram a imaginação nem incentivam a criatividade? Quantos programas infantis que tratam as crianças como acerebradas? Fora Harry Potter, o Mago do Merchandising, que outros livros os jovens adotaram como leitura “obrigatória”? Quantos roteiros recauchutados, tirados de quadrinhos e livros de sucesso você pode contar nos últimos 5 anos? O tal “roteiro original” acabou, mas isto é conversa para uma outra vez. Tudo o que quero fazer notar aqui é que os novatos estão preferindo os novos jogos de Vampiros, Lobisomens e demais criaturas, do que sacar uma espada mágica, conjurar uma feitiço ou afastar mortos-vivos com seus símbolos sagrados. E além do tema, o sistema de jogo está mais prático, mais moderno. Era nisso que o D&D queria chegar com a terceira edição.
Os inteligentes “arquitetos” da Wizards então resolveram remodelar o D&D incorporando esta sobriedade pela qual passa nosso mundo ultimamente. Tudo, claro sem esquecer-se de que eles ainda continuam sendo Dungeons and Dragons e certas coisas são como as vacas sagradas, não se pode tocar.
O novo D&D terá algumas mudanças significativas que levarão o jogo um pouco para o Lado Negro provavelmente com a intenção de que os heróis se redimam no final de tudo. Nem todas estas mudanças foram anunciadas, mas listarei as que considero mais importantes entre as que já saíram:
    - Raças Básicas: O Player’s Handbook (que só sairá português no mínimo na metade de 2009) trará algumas alterações na seleção das raças que serão consideradas “básicas”. Agora parece que teremos o Tiefling no plantel principal. O gnomo provavelmente sairá apenas no Monsters Manual. Ainda não foi esclarecido se os drow entram no PHB ou no MM. Mas que agora o Drow será uma raça jogável junto com o restante do grupo, é certeza.
Os drow são uma sub-espécie élfica mas são tão peculiares que são tratados como uma nova raça. Para quem não sabe (aliás, se você não sabe isto, não deve estar entendendo nada deste texto) os drow são os gêmeos maus dos elfos. Vivem em uma sociedade subterrânea, matriarcal, escravagista e tirana onde a luta por poder fala mais alto que tudo. Alguns elementos da sociedade são expulsos para a superfície por se desviam do caminho demonstrando sentimentos fracos como compaixão e piedade. Creio que é aí que entrarão os personagens, pois o D&D nunca fez apologia ao “mal”, colocando-o normalmente como adversários dos heróis. Mesmo percorrendo o caminho do bem, estes drow ainda tem um instinto maligno, que vez por outra deixam aflorar.
Os tieflings por sua vez são meio-demonios, denominado “tocado pelos Planos”. Neste caso os Planos Inferiores. Em suas veias corre o sangue de algum ser inferior que pode ter sido um parente direto ou distante, o sangue está lá. Como no caso dos drow, isto não significa que os tieflings precisam ser necessariamente maus, mas que há uma sementinha dentro deles, há.
Essas duas raças dão ótimas chances para interpretação e certamente ótimas histórias. Talvez jogando entre o bem e o mal o D&D esteja mesmo é incentivando boas narrativas.
Os gnomos nunca foram uma raça com grande empatia perante a massa de jogadores e creio que por isto foram relegados a uma raça de NPC. Haverão, sim, muitos personagens-jogadores gnomos mas parece que esta raça será bem incomum.
    - Novas Classes Básicas: Bom, pelo menos uma. É confirmado que o Warlock será uma classe básica no novo D&D.
O Warlock é geralmente um mago que fez um pacto com criaturas sombrias, funestas, abissais e daí pra baixo. Ele retira poder deste plano, mas tem um preço a pagar, listado em seu pacto. Geralmente é mandar seus inimigos para os planos inferiores para servir de alimento á outra parte do contrato. E geralmente estes pactos fornecem poderes muito interessantes. Quer exemplos? Que tal mandar seu “amigo” ao inferno e um round depois trazer de volta apenas o que sobrou dele? Acredite, um round é tempo o suficiente, que o diga Constantine. E então que tal invocar dos planos inferiores uma criatura dos pesadelos para beliscar o calcanhar de seu agressor? Ou, ao mesmo tempo se teleportar e tornar-se invisível para se livrar dos muitos desafetos que cultuará ao longo de sua jornada?
O Warlock será uma classe divertida, porém o poder corrompe e o personagem corre o sério risco de ir parar no colo de seus senhores. Creio que aqui a idéia dos designers é aquela Parkiana de “Com grande poder, grande responsabilidade”. Cá comigo já estou vendo alguns amigos que não abrirão mão de ter um Tiefling Warlock, o desafio é fazer com que estes personagens não descambem para o mal escancarado, mas como diz Goldmoon de Dragonlance: “O mal se volta contra ele mesmo”.
    - Novo clima: Não, não me refiro à meteorologia. Bom, indiretamente sim, mas o fato é que o novo D&D terá um novo conceito. Serão os chamados “Pontos de luz”.
Mesmo em Forgotten Realms, que é um mundo bastante explorado, existirá o conceito de que “Nem tudo no mundo é conhecido”. Alguns cenários de campanha serão perfeitos para isto. Neste novo conceito, as cidades e vilas serão como pequenos pontos de luz, circundados pela escuridão. Fora dos pontos de luz o ambiente será selvagem, infestado de criaturas sedentas de sangue, não só dos heróis mas umas das outras também e onde o ouro não poderá pagar por sua vida (A não ser que contrate um grupo de heróis para o escoltar).
Fora dos pontos de luz tudo é incerto e o perigo ronda constantemente. Inclusive as informações serão escassas pois não haverão muitos mensageiros dispostos a fazer viagens maiores do que um dia. Assim, talvez sua aldeia natal para onde você tanto deseja voltar quando se aposentar não esteja mais lá. Ao invés disso transformou-se em um acampamento Hobgoblin e seus habitantes são feito de escravos há mais de cinco anos.
Ou seja, a barra vai ser pesada.
Mais um outro detalhe que pode passar despercebido mas eu particularmente acho fundamental para este novo clima é o fato de que agora cada personagem terá um papel bem definido dentro de seu grupo. O D&D voltará ás raízes e o jogo será um constante trabalho em equipe. Assim um líder será indispensável, tal como um personagem de combate frontal, um arcano e um batedor. Isto não quer dizer necessariamente que seu grupo deverá ser composto por um Clérigo, um Guerreiro, um Mago e um Ladino. Significa que qualquer que seja a sua classe, nela estará descrita qual o seu papel dentro do grupo e você terá condições de realizar esta tarefa sem ser penalizado. O grupo não precisa ter um Clérigo, mas pode ter um Druida que cumprirá sua função e não ficará sobrecarregado. Tal qual você não precisa ter um Guerreiro, mas o Ranger assumirá o posto dele.
Fora este fato está o fato de que um Encontro agora não terá mais o “famoso” Nível de Desafio. Agora a coisa será mais simples: cinco personagens, cinco adversários, ou quatro adversários e uma armadilha, ou três adversários e um líder de nível mais elevado, afim, cada combate está sendo desenhado para ser uma verdadeira batalha.
Estes detalhes no clima do jogo o farão um jogo de pura estratégia e de muita ação.
Como eu disse algumas coisas são a vaca sagrada, e o D&D não iria se contentar apenas em um mundo estéril e aterrador. Muita apelação está por vir. E conforme os yankees forem liberando informações, eu vou repassando e tentado fazer você se empolgar tanto quanto eu estou com esta nova edição. Que venha a evolução!