Superbad - É Hoje!
Cinema November 8th, 2007

por Austriaco
Retornando das cinzas como aquele passarinho das lendas, Austriaco manda uma resenha batuta sobre um dos filmes mais engraçados do ano. O homem que veio da Áustria promete não mais deixar os ávidos leitores do OOZE a ver navios - ou melhor, gosmas verdes.
Morar em um estado desenvolvido como São Paulo tem grandes vantagens que eu poderia enumerar aqui; anule-as todas se você mora no interior. Como aquele garoto vietnamita nu que posou para a foto e representou, de certa maneira, o sofrimento de um povo em guerra, a exibição de “Superbad – É Hoje” representa, com um certo exagero deste que vos escreve, a míngua em que atravessa a sétima arte neste fim-de-mundo. Estamos em São José do Rio Preto, e o filme em questão ficou apenas duas semanas – ou nem isso – em cartaz no principal conjunto de salas da cidade. Outros títulos de menor expressão (ou maior, dependendo do ponto de vista), ficaram eras glaciais inteiras ocupando os horários das escassas cinco salas do “complexo”. Moral da história: fui ver as aventuras de Seth e Evan em uma sala escura demais, com assentos baixos e apertados, e um sistema de som sofrível. Raiva? Descontentamento? Ultraje? Todos esses substantivos impactantes desapareceram assim que surgiu na tela grande a fantástica vinheta de abertura do filme.

A história segue uma receita bem simples e conhecida. Junte dois protagonistas, amigos inseparáveis que carregam dentro de si a antítese que dá tom ao filme: Seth (Jonah Hill) é o gordinho desbocado, fala-demais-faz-de-menos, só pensa em sexo; Evan (Michael Cera) é o introvertido, nerd escrito e desenhado, pensa-demais-antes-de-fazer. Estão ambos submersos no plano narrativo da “busca por mulheres/sexo” e, cada um à sua maneira, agem em favor da pegação total, para pelo menos não terminar o colegial zerados. Adicione a isso muito pastelão e alguns personagens coadjuvantes que ameaçam a todo momento tomar para si o fardo cômico da história e entrar sozinhos no imaginário de quem assistiu e de certa forma identificou-se.
Um deles consegue a proeza: McLovin. Guarde este nome. Estereotipado ao máximo, o garoto chamado Foggel (Christopher Mintz-Plasse) traça sua própria narrativa, que muitas vezes é melhor de ser acompanhada que o percurso dos dois protagonistas. Tão forte é a carapuça, que dificilmente lembramos durante o filme do nome verdadeiro de McLovin. A dupla policial (Bill Hader e Seth Rogen) que acompanha o garoto dá o crivo: a certa altura ele não era mais Foggel, e sim McLovin. Para sempre.

Logo de cara, dá pra ver que “Superbad - É Hoje” tem algo a mais. A trilha muito bem cuidada remete aos seventies, funk e soul que aponta na direção de cada festa animada. Apesar disso, a trama tem elementos contemporâneos, como a menção da internet e o uso de telefones celulares. Pensei em falar de anacronismo, mas receio ser alvo de atentados por parte de sociólogos e historiadores, em função do uso errôneo de certos termos (não falo mais). Difícil ver “Superbad – É Hoje” e não dar muitas risadas, especialmente se lembramos de nossas (não tão) longínquas adolescências.
Título Original: Superbad
Tempo de Duração: 114 minutos
Direção: Greg Mottola
Roteiro: Seth Rogen e Evan Goldberg
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: www.areyousuperbad.com


November 9th, 2007 at 9:58 am
Pronto, quero ver