Jogos de Tabuleiro no Brasil.
Boardgames November 12th, 2007Por Rey Jr.
Sempre que você vai a uma loja de brinquedos (presentear aquele sobrinho, afilhado, primo), você passa pela seção de jogos, vê os clássicos War, Jogo da Vida, Detetive, Banco Imobiliário, Combate, Interpol e pensa “Que saudade dos meus tempos de criança…”
Mas será que jogo de tabuleiro é apenas pra criança?
Bom, no Brasil parece que sim. Afinal, as empresas responsáveis pela sua fabricação (Grow, Estrela, etc..) dão esta conotação. Fora o War, todos os outros citados acima vêm com conotação infantil o que acaba afastando os marmanjos e na minha opinião, perdendo um bom mercado consumidor.
Na alemanha, o jogo de tabuleiro é levado tão a sério que a convenção realizada em Essen é a maior do mundo. Lá existe premiações, tipo um “oscar” e os game-designers são aclamados publicamente como se fossem celebridades. Lá fora (Europa e EUA), o tabuleiro é visto com seriedade, com seu mercado infantil e adulto bem diferenciado, com produtos bem acabados, peças de ótima qualidade e preço acessível. Por que isso acontece?
Uma das respostas pode ser o clima. No inverno europeu as pessoas não saem de casa, aulas são interrompidas e muitas ruas ficam cobertas de neve. Os europeus encontraram no jogo de tabuleiro uma boa maneira de passar as horas com a família e amigos. Na Alemanha, por exemplo, o mercado de jogos de tabuleiro é maior que o dos EUA.
Aqui no Brasil as pessoas raramente se trancam em casa, a não ser por medo da violência. Então os brasileiros preferem um barzinho ao tabuleiro. É justo. O mercado é restrito a presentes para os sobrinhos, netos, priminhos, em épocas festivas e aniversários.
Outro fator de suma importância é a economia. Por serem produzidos na Europa, e com o advento da União Européia, é fácil para um italiano comprar um jogo alemão (com regras traduzidas, como é de praxe) pagando por volta de 30 euros. Para eles é pouco, tendo em vista o custo-benefício. Os EUA contam com seu próprio mercado que é bem aquecido, com os jogos não saindo por mais de 50 dólares.
Para importar um jogo destes, o brasileiro tem que considerar não só a cotação do dólar e do euro, como também os inúmeros impostos, que podem chegar á 60% do valor da importação. Ou seja, um jogo moderno, com peças de madeira, fino acabamento e que custaria de 30 a 40 euros, sai no Brasil por no mínimo 200 reais. Isto é, se você conseguir encontrar o jogo e tiver paciência para esperar 8 semanas sua carga vir de navio.
Ok, nem tudo são flores, estas coisas acontecem com todo o tipo de mercadoria importada (exceto pelo fato que o imposto sobre jogos é altíssimo) mas o Brasil tem jogos produzidos aqui, não? Existem jogos “modernos” em nosso país?
Bom, a resposta é sim… e não. Primeiro devemos determinar o que se entende por “jogos de tabuleiro modernos”. Na opinião de muitos gamers, minha inclusive, o conceito de jogo moderno é aquele em que as regras foram se atualizando ao longo do tempo, afim de proporcionar uma experiência divertida durante toda a partida. Fatores como “Aleatoriedade” e “Sorte” são mal vistos pelos gamers experientes que buscam conseguir a vitória por meios próprios e não porque o dado disse. Além disso, a mecânica do jogo precisa antecipar os diferentes tipos de estratégias que um jogador pode criar e fazer com que esta estratégia seja tão boa quanto as demais dentro do sistema do jogo. É por isso que jogos como “O jogo da vida” e “Banco Imobiliário” não são considerados modernos. Suas mecânicas são fracas e completamente dependentes da sorte. Poderia até mesmo incluir o “War”, mas não o farei em respeito ao seu irmão gringo, que lá fora chama-se “Risk” e tem inúmeras expansões e adaptações. O War ainda tem salvação.
O Brasil em termos de jogos modernos ainda engatinha, pois o mercado é muito voltado para o público infantil (captou o trocadilho?). Mesmo assim, aos poucos estão surgindo alguns títulos interessantes, mas ainda com ilustrações infantilóides como em O Grande Chefão, O Jogo da Fronteira e Pague pra Ver; engana-se quem acha que o brasileiro não compra o livro pela capa. E mais, por falta de divulgação, apenas o fato de a capa do jogo ser engraçadinha e o selo dizer “A partir de 8 anos”, o pessoal já taxa como infantil. E não é bem verdade. Jogar Pague pra Ver com crianças de 8 anos não deve ser lá tão divertido, mas um grupo de crianças de 8 anos jogando deve ser hilário.
Aqui vai uma pequena lista de jogos que vocês deveriam conhecer. Desnecessário dizer que muitos jogos são adaptações dos originais gringos, seus nomes originais estarão entre parênteses:
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Pague pra Ver (Kuhhandel/You’re Bluffing): Jogo de leilão, muito divertido, onde o blefe é fundamental.

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Jogo da Fronteira (Hart an der Grenze) - Outro jogo de blefe e manipulação onde você precisa passar sua muamba para outro lado, sem ser pego pelo jogador que faz o papel de guarda.

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O Jogo dos Conquistadores - Cada jogador representa um grande conquistador e deve vencer os demais, neste War alternativo.

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Academia (Leréia): O legítimo jogo do dicionário. Você sabe o que quer dizer a palavra Acromicria? Não? Pois invente, ninguém vai saber que foi você e se votarem na sua definição, você marca pontos. Extremamente divertido !

- Descobridores de Catan (Die Siedler von Catan) : Um dos melhores jogos modernos, mistura construção com leilões, trocas, economia e muitas estratégias. Difícil de se encontrar no Brasil por enquanto, mas parece que esta situação vai mudar em breve.

Curiosidade:
- Escrete (Ludopédio) : Um jogo criado por Chico Buarque de Holanda (sim, ele mesmo!) quando exilado na Itália em 1970. Deveras, um clássico.

Esta foi apenas uma pequena amostra, para provar que jogos de tabuleiros podem e devem ser coisa de gente grande. Apesar de particularmente eu achar a qualidade muito baixa, tendo em vista o preço de alguns jogos, apenas investindo neste mercado é que as empresas notarão que há nele, mais do que elas supõem.
Algumas editoras como a Devir e a Odysseia começam a investir neste campo trazendo bons títulos como Descobridores de Catan e Arte Moderna. Apesar de a disponibilidade ser pouca (afinal produzem poucas cópias para o crescente número de interessados) e o preço um pouco salgado, elas prometem ajudar a melhorar o mercado de jogos de tabuleiro no Brasil.
Assim esperamos. Dizem que em 2008 haverá até mesmo alguns campeonatos de Descobridores de Catan.
Links interessantes:
Boardgame Geek (gringo)
Brettspielwelt (para se jogar online, em inglês)
p.s.: Acromicria é a pequenez anormal das mãos e dos pés. Duvida?


November 12th, 2007 at 8:52 pm
artigo muito, mas muito interessante. Parabéns (quem escreveu? ) No brasil, os jogos realmente nunca conquistaram um espaço bacana, mas há convenções também aqui e pessoas interessadas. Sei q tem uma no rio. Depois dou uma olhada e posto o nome aki.
December 7th, 2007 at 3:00 pm
Muito bom mesmo! Sempre gostei de jogos de tabuleiro. Pretendo investir nuns em breve.
November 20th, 2008 at 10:40 pm
oi eu nao sei como se jogar no computador o jogo comquistadores