Por Rey Jr

Salve galera, desculpem pelo sumiço. Projetos novos estão aparecendo na vida profissional e enquanto jogar, mestrar e falar sobre RPG não dá dinheiro, temos que trabalhar né?

Faz um tempinho que não jogo RPG e este fim-de-semana comecei a teorizar como o RPG mudou de quando comecei a jogar até hoje.

Será que ele mudou mesmo? Ou fui eu que apenas cresci (afinal comecei a jogar com mais ou menos 15 anos e já bato na porta dos 30!) ? Se mudou, pra que lado foi? Resolvi então escrever um post sobre isto na iminência de “mais uma” evolução com o lançamento da Quarta Edição de D&D. E não adianta dizer que pra você não muda nada, pois você não joga D&D. É a mesma coisa que dizer que a eleição Estadunidense não afeta ninguém aqui embaixo.

A “4E” afeta os RPGistas sim, porque afeta todo o mercado de RPG e uma parcela da literatura de fantasia. Afeta todos porque o sucesso ou fracasso dessa edição vai ditar o que será lançado nos próximos anos - e não pense que, por exemplo, a Steve Jackson Games (Gurps) não usa a Wizards of the Coast (D&D) e a White Wolf (WoD) como parâmetros, pois usa sim. E vice-versa também. Quando uma delas cria uma tendência, as outras precisam seguir. Ou será que foi á toa que o WoD se reformulou, bem como o Gurps modernizou sua versão? Claro que, para criar uma tendência, uma empresa põe na mesa todo seu poderio financeiro. É mais fácil a WotC dizer qual é a bola da vez na linha editorial, do que a Daemon do Del Debbio.

“Mas no que isto afeta nosso jogo?” - eu me perguntei. Acredito que afeta na hora que eles dizem “Agora, todos vocês utilizarão a internet para pegar suas atualizações” ou “Dragonlance será descontinuado, joguem Eberron!”. Na prática, individualmente você pode dizer “dane-se a internet e o Eberron, vou jogar é DL daquela minha caixa de AD&D”. Pra você isso é perfeito e você vai continuar fiel a isso para sempre. Mas o mercado todo vai com a maré. E logo você, como ser humano que é, vai querer ver algo novo pra DL. A sua caixa já não traz tanta emoção e de artigo comum tornou-se um artigo raríssimo, disputado a tapa em lojas de usados. Logo sua ânsia natural por novas experiências vai fazer com que você busque outras pessoas para compartilhar histórias, e é aí que notará que poucas pessoas estão no mesmo barco que você e que todas elas também buscam o que você busca.

É assim que o mercado editorial vai comandar a sua vida de jogador. Pelo menos é a minha opinião. Eu mesmo sou um órfão de Dragonlance, do velho World of Darkness e da primeira Edição de D&D. Sem falar no Shadowrun 2ª Edição que chegou com várias novidades no Brasil e simplesmente morreu. Na verdade nenhum destes cenários morreu, apenas foram atualizados.

Antigamente, tudo o que você, jogador de D&D precisava (e queria) para jogar era uma ficha em branco, um lápis e um bom DM. Miniaturas de chumbo eram bem-vindas e você se contentava pelo fato da miniatura de gnomo representar seu clérigo anão. Hoje em dia não. Hoje você tem fichas personalizadas para a sua classe. Suplementos e mais suplementos para a sua classe, pois o sistema é aberto e centenas de editoras agora escrevem sobre o mesmo assunto. As miniaturas não são mais tóxicas e além de coloridas encaixam-se perfeitamente no conceito de seu personagem, se não o fizerem você compra outro “Booster” ou vai nos leilões On-Line comprar aquela peça do Clérigo de Moradim de barba preta (não castanha) que carrega um mangual (e não a maça-estrela). O tabuleiro agora é específico: um para a vila, outro para a cidade, a selva e o templo maligno.

E isto tudo é ruim? Depende.

Por um lado, todas estas informações gráficas e este suporte dizendo tudo o que é e como é, acabam limitando sua criatividade. O DM não tem mais a preocupação de descrever uma cena. Ele simplesmente põe tudo à mesa - cartões de estatísticas, miniaturas, tabuleiro (com peças vendidas separadamente!) - e diz: “É isto tudo aê que estão vendo”.

Por outro lado, todo este suporte atrai os novatos. No meu tempo de D&D da Grow, eu jogava a Dungeon de Zanzer incontáveis vezes. Eram todas divertidas - e cada vez os personagens tinham que pensar uma maneira diferente de enganar o carcereiro Jerj - e sempre diferentes umas das outras. O cenário era todo o mesmo, a nossa imaginação é que variava: “Aqui onde estão estes ossos são estátuas, ok?”

Eu também tenho que dar a mão á palmatória para certos adereços, sendo o melhor deles o Three Dragon Ante. No caso deste jogo, você pode interpretar aqueles jogos de tavernas e utilizando regras opcionais para que a habilidade de seus personagens afetem o decorrer do jogo. Realmente dá um charme a mais nas campanhas.

 

Posteriormente farei um post mais completo sobre TDA pois ele merece.

Por agora eu só deixo a questão no ar, a ser pensada e respondida pela experiência própria de cada um: O RPG evoluiu em sua essência?