Da série Conseqüências da Vida Aventureira – Parte 2:
Porque às vezes chove na festa
escrito por Kareen Dulak
Pergunta: quando foi a última vez que houve um terremoto em sua aventura? Não algo feito pela magia “Terremoto” e sim algo absolutamente natural e com efeitos desastrosos para construções e cidades em geral. Quando foi? Ou um tornado cruzou o caminho dos personagens? Ou uma enchente por causa do excesso de chuvas? Se a resposta foi nunca ou não me lembro, bem… é uma pena. Isso porque os desastres naturais existem, e deveriam fazer parte da vida em diversas regiões do mundo.
Vale lembrar que a vida na Terra (sim, a nossa), só foi possível devido à existência desses fenômenos. E quase nenhum cenário de aventura típico foge do “sistema de construção da Terra” no que tange a essa situação: os planetas giram e têm gravidade, contam com correntes de ventos, áreas de alta e baixa pressão, correntes marinhas de águas frias ou quentes, têm seus continentes assentados sobre placas tectônicas que, por vezes, soltam a pressão de seus choques na forma de vulcões ou por terremotos, e assim em diante. São esses elementos que normalmente causam os desastres e eles estão presentes em, como dito, quase todos os cenários.
Poucos são os cenários que fogem desse sistema e estes tendem a ter suas próprias peculiaridades do que se refere à ação da Natureza (ou não, o que efetivamente os tornam muito mais pobres). Nem sempre aquela vila destruída precisa ser um sinal da passagem de um monstro ou vilão, mas sim o resultado de uma violenta tempestade de granizo!
Um desastre natural lembra aos jogadores que existem forças que nem eles podem controlar (ou, às vezes, até podem, o que sem dúvida lhes renderá muitas pessoas agradecidas); demonstra, ainda, que habitam um mundo vivo, que se defende daqueles que o ofende ou que apenas faz o que é… ora, natural!
Sem contar que a utilização sábia deste fator imprime um colorido magnífico em sua aventura, como? Uma vila que foi construída dentro da montanha, a razão: tornados constantes destruíam suas casas. Um porto cheio de casas vazias? Mas é claro, é o mês do Akbaleth (ou “Águas Altas”), quando o Deus marinho demonstra seu poder, para que os pescadores o temam e só pesquem o necessário (tradução: época de tufões no Mar).
Não há porque imaginar que as pessoas de mundos diferentes lidem com os mesmos problemas que nós enfrentamos de maneira extremamente diversa, mas há sim diferenças, pois os desastres naturais podem servir como início de outras situações: o Tornado pode ser um tipo de cidade-móvel para Elementais do Ar, o vulcão pode cuspir além de lava algum tipo de criatura (Dretchs, por exemplo), o alagamento pode ser um tipo de cabeça-de-lança para uma invasão de Kuo-toas (Sahuagins), etc. Não é porque algo é natural que ele não possa ser potencializado e/ou utilizado por alguma criatura.
E, por fim, os desastres naturais são uma maneira de ver o quanto os heróis são altruístas (ou aproveitadores espertos para usar a situação em seu favor, ao estilo do Plano Marshall. Uma ótima oportunidade para que o Clérigo e/ou o Paladino consigam devotos ao ajudar nesse momento de desespero, ou de pilhagem para o Ladino, ou de reverência e para passar ensinamentos no caso do Druida, etc) ao auxiliarem na busca de desaparecidos nos escombros, ao ajudarem uma cidade a se reconstruir, ao ajudar a replantar os campos, etc.
Então, bons desastres!
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7 Responses so far
Tsu
April 22nd, 2008
11:36 am
acho q foram poucas as vezes em q usei o fator clima. Uma delas foi qdo eles estavam no mar, num navio, aí rolou a tempestade. A outra foi uma tempestade de areia num deserto.
Avoloch
April 22nd, 2008
11:53 am
a tempestade de areia, a tempestade em alto mar, a névoa da manhã e a chuva da meia noite com relâmpagos ~sao pra lá de clássicas.
Mas terremoto nunca vi não!
Kareen Dulak
April 22nd, 2008
1:25 pm
Lembro-me que quando ocorreu um terremoto em uma aventura narrada por mim, demorou um bocado para que os Jogadores pra lá de desconfiados aceitassem o fato de que algo assim pode “simplesmente ocorrer”. Ficaram por muito tempo procurando indícios incriminadores, pistas da ação de algum monstro ou vilão, até nas rachaduras eles entraram para ver se o buraco levava até alguma cidade de criaturas malignas.
Estranhamente pouco ou quase nada ajudaram as pessoas que sofreram pela ação do terremoto (dou-lhes um pequeno desconto porque eles não estavam em uma cidade ou área de habitação; então foi mais uma inação – em não ver se alguém em algum lugar precisava de ajuda – do que um descaso descarado) pois tinham certeza que aquilo – o terremoto – devia ser apenas “o início” de algo mais funesto. Não era.
Curiosamente eles não tinham a mesma reação com os tornados. Esses eles normalmente viam como “normais” e buscavam cobertura e/ou ajudar outros a se protegerem.
Deve ter algo nos terremotos que mexe com a imaginação paranóica fértil dos jogadores. Talvez culpa do Underdark e seus associados cenários afora.
Enfim, é isso.
Kareen Dulak
April 23rd, 2008
7:23 am
Por sinal, ontem teve um terremoto no oceano que foi sentido em São Paulo, Minas, Rio, Santa Catarina e Paraná.
Foi para provar o meu ponto. Hehehe.
reyjr
April 23rd, 2008
1:08 pm
Nas minhas aventuras é sempre sol e céu limpo.
Até de noite.
TERREMOTO EM SÃO PAULO « Aventuras na Era Hyboreana
April 23rd, 2008
1:59 pm
[...] E olha que semana passada, o Kareen Dulak do Ooze estava falando sobre catástrofes naturais em suas campanhas de RPG. [...]
Kareen Dulak
April 23rd, 2008
3:31 pm
Acho que isso mostra quem é o Mestre desse cenário chamado Terra, não é?
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