Porque a Porta do Céu não é giratória.

 por Kareen Dulak

 A Morte. Sim, a Morte. O Fim (ou Começo?). O momento mais temido por muitos. Ou será que não? Pode-se dizer, sem medo de errar, que a morte é pouco mais do que um contratempo na vida dos personagens. Apenas um incomodo temporário. Afinal, como dar importância, e temer, a morte quando a partir do 5º círculo já existem magias como “Levantar Mortos” (Raise Dead) e, em níveis mais elevados: Reencarnação e Ressurreição?

Assim a Morte é encarada de duas maneiras distintas, por dois grupos de pessoas: as pessoas “normais”, que temem a Morte (afinal, com 6 PVs tem mais é que temer mesmo…) e fazem todo um culto aos mortos, incluindo aqui um bom cortejo, acompanhado de umas orações para o falecido e culminado com o dito enterro. E existe a Morte para os aventureiros.  E é por isso que absurdos podem ocorrer. Quais? Aqui vão apenas algumas das pérolas que surgiram em meio às sessões:

1.      Jogador diz ao grupo: “Olha aí pessoal, eu só jogo com o mesmo personagem até ele morrer umas QUATRO vezes… acima disso é exagero” (!?).

2.      Jogador ao olhar o corpo DESTRUÍDO de outro membro do grupo diz ao Clérigo: “É, acho que Levantar Mortos não vai dar… o corpo tem que estar inteiro… então deixa o corpo aí, só leva um pedaço, depois procuramos alguém com Ressurreição…”

3.      Jogador ao saber que seu personagem foi morto: “Droga! Agora o Clérigo vai ter que me Levantar… maldição! Mais uma magia de 5º Círculo perdida…”

E assim se seguem. E isto NÃO pode ocorrer. NÃO pode deixar chegar ao ponto de pessoas morrerem, voltarem da morte, e continuarem a briga na qual acabaram de perecer. NÃO pode ser permitido a um personagem que acabou de morrer não sofra nenhum tipo de dano psicológico. E NÃO se pode deixar que a primeira atitude de um Jogador ao ver seu companheiro de batalha morto seja pilhar o corpo!!

O problema situa-se em: como fazê-los temer a morte? Aqui eu aconselharia o uso da imaginação, para invocar mortes das mais impensáveis e terríveis. Desintegrar? Hum, fraco demais. Prefira usar uma “Viagem Planar” (Planeshift) para mandar o personagem para o Inferno. Ele ainda não estará morto, mas com certeza não terá um tempo muito legal.

Quando o personagem morrer, insira no momento uma luta pela alma dele envolvendo criaturas do Bem e do Mal (se ele for Neutro, ou Maligno, bem… ele que se dane). Lembre-se, além disso, que se há Ressurreição é porque há uma alma. E nada impede – além de vindouras reclamações – que haja algo que mude entre o instante da morte e a volta à vida. “Sim, é claro que você pode voltar. Mas no momento que sua alma é sugada de volta ao corpo, uma mão invisível a segura e diz: ‘Acha que sairás daqui tão facilmente? Queres humilhar Tharon, o Feitor das Almas?! Mas não conseguirá tal feito, serzinho fracote, não ao menos sem pagar um tributo! E o que eu poderia desejar de ti… Hum… Sim! Teu olho, será meu olho! E é assim então, o que tu veres, também eu verei! Agora vá, pobre bastardo!”

E aí está toda uma situação que irá exigir um bom grau de preocupações para o afetado e o grupo dele (se, e somente se, ele contar), afinal ter algum tipo de entidade olhando continuamente o que os aventureiros fazem não pode ser nada bom. Se cada vez que ocorrer uma morte de personagem quando este retornar estiver algo mudado, talvez um passo acima ou abaixo no alinhamento (de “Leal”, para “Neutro”, de “Neutro” para “Bom”), algum tipo de trauma a ser interpretado ou mesmo um problema físico (e não precisa ser nada definitivo, como um braço inutilizado; um mero tique já fará uma grande diferença para os que sabem e gostam de interpretar, além de dar ferramentas para o Mestre trabalhar na reação ao personagem).

Tudo isso para que quando o Jogador ver seu personagem mortinho ele pense: “Ah, não, agora fud…”.

É temendo a Morte que os personagens passam a realmente tentar permanecer vivos.

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