Conseqüências da Vida Aventureira - Parte 4
RPG June 16th, 2008Porque a Porta do Céu não é giratória.
por Kareen Dulak
A Morte. Sim, a Morte. O Fim (ou Começo?). O momento mais temido por muitos. Ou será que não? Pode-se dizer, sem medo de errar, que a morte é pouco mais do que um contratempo na vida dos personagens. Apenas um incomodo temporário. Afinal, como dar importância, e temer, a morte quando a partir do 5º círculo já existem magias como “Levantar Mortos” (Raise Dead) e, em níveis mais elevados: Reencarnação e Ressurreição?
Assim a Morte é encarada de duas maneiras distintas, por dois grupos de pessoas: as pessoas “normais”, que temem a Morte (afinal, com 6 PVs tem mais é que temer mesmo…) e fazem todo um culto aos mortos, incluindo aqui um bom cortejo, acompanhado de umas orações para o falecido e culminado com o dito enterro. E existe a Morte para os aventureiros. E é por isso que absurdos podem ocorrer. Quais? Aqui vão apenas algumas das pérolas que surgiram em meio às sessões:
1. Jogador diz ao grupo: “Olha aí pessoal, eu só jogo com o mesmo personagem até ele morrer umas QUATRO vezes… acima disso é exagero” (!?).
2. Jogador ao olhar o corpo DESTRUÍDO de outro membro do grupo diz ao Clérigo: “É, acho que Levantar Mortos não vai dar… o corpo tem que estar inteiro… então deixa o corpo aí, só leva um pedaço, depois procuramos alguém com Ressurreição…”
3. Jogador ao saber que seu personagem foi morto: “Droga! Agora o Clérigo vai ter que me Levantar… maldição! Mais uma magia de 5º Círculo perdida…”
E assim se seguem. E isto NÃO pode ocorrer. NÃO pode deixar chegar ao ponto de pessoas morrerem, voltarem da morte, e continuarem a briga na qual acabaram de perecer. NÃO pode ser permitido a um personagem que acabou de morrer não sofra nenhum tipo de dano psicológico. E NÃO se pode deixar que a primeira atitude de um Jogador ao ver seu companheiro de batalha morto seja pilhar o corpo!!
O problema situa-se em: como fazê-los temer a morte? Aqui eu aconselharia o uso da imaginação, para invocar mortes das mais impensáveis e terríveis. Desintegrar? Hum, fraco demais. Prefira usar uma “Viagem Planar” (Planeshift) para mandar o personagem para o Inferno. Ele ainda não estará morto, mas com certeza não terá um tempo muito legal.
Quando o personagem morrer, insira no momento uma luta pela alma dele envolvendo criaturas do Bem e do Mal (se ele for Neutro, ou Maligno, bem… ele que se dane). Lembre-se, além disso, que se há Ressurreição é porque há uma alma. E nada impede – além de vindouras reclamações – que haja algo que mude entre o instante da morte e a volta à vida. “Sim, é claro que você pode voltar. Mas no momento que sua alma é sugada de volta ao corpo, uma mão invisível a segura e diz: ‘Acha que sairás daqui tão facilmente? Queres humilhar Tharon, o Feitor das Almas?! Mas não conseguirá tal feito, serzinho fracote, não ao menos sem pagar um tributo! E o que eu poderia desejar de ti… Hum… Sim! Teu olho, será meu olho! E é assim então, o que tu veres, também eu verei! Agora vá, pobre bastardo!”
E aí está toda uma situação que irá exigir um bom grau de preocupações para o afetado e o grupo dele (se, e somente se, ele contar), afinal ter algum tipo de entidade olhando continuamente o que os aventureiros fazem não pode ser nada bom. Se cada vez que ocorrer uma morte de personagem quando este retornar estiver algo mudado, talvez um passo acima ou abaixo no alinhamento (de “Leal”, para “Neutro”, de “Neutro” para “Bom”), algum tipo de trauma a ser interpretado ou mesmo um problema físico (e não precisa ser nada definitivo, como um braço inutilizado; um mero tique já fará uma grande diferença para os que sabem e gostam de interpretar, além de dar ferramentas para o Mestre trabalhar na reação ao personagem).
Tudo isso para que quando o Jogador ver seu personagem mortinho ele pense: “Ah, não, agora fud…”.
É temendo a Morte que os personagens passam a realmente tentar permanecer vivos.
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June 16th, 2008 at 3:53 pm
Eu acho que o recurso de “Voltar da Morte” tem que ter um motivo muito bom por trás. Muito bom para a historia como um todo, eu digo.
Se o DM matar, ele tem que ter certeza de que a historia aguenta a “morte”. Porém se Ressucitar, ele pode estar certo de que “abriu a porteira” e todos os jogadores se sentirão injustiçados se não “voltarem” também.
Lidar com a morte dos personagens merece até uma série de aritigos, de tanta polêmica.
E não se enganem, achando que “Ah no 4E ninguém morre mais, tá tranquilo!” porque isso é a maior balela. Morre MESMO e é só jogar algumas partidas pra notar isto. Na “Fuga de Sembia” 2 vezes personagens ficaram inconscientes e o DM não quis dar o Coup-de-Grace para não acabar com a festa da novidade.
Esse é um assunto muito legal, merece muitas discussões.
June 16th, 2008 at 10:47 pm
É um assunto muito interessante. Parabéns.
Minha opinião diverge um pouco das conclusões do artigo. Quando jogamos - pelo menos eu e meu grupo - procuramos ao máximo o realismo (é, somos o tipo chato de rpgísta). Usamos uma lógica…. “mesmo num mundo de magia TÊM de ser MUUUUUITO difícil trazer alguém dos mortos”. Isso traz um realismo maior nas interpretações e na diversão…. Pois sem esse cuidado fica igual a quando jogamos um game e sabemos todas as “manhas” dele….. acaba perdendo a graça.
Criamos mecanismos - ou enredos - para que a volta de algum personagem da morte tenha de ser conseguido com sangue, suor e lágrimas….. muitas lágrimas.
Úma alternativa que usamos é que o jogador que perdeu seu personagem volte com um novo personagem (totalmente diferente do falecido)….
June 18th, 2008 at 6:31 am
Muito bom o post. Embora os personas com o qual joguei nunca tivessem chegado a morrer - pq. o jogador nunca fez qualquer tipo de besteira que levasse a isso - imagino que o trauma vivido pelo jogador deverá ser hiperbolicamente aumentado em relação ao trauma que o personagem sentirá… Mto. legal. Abraços
June 18th, 2008 at 8:00 am
Nunca, Waltinho? Tem certeza que você não joga com robôs?
Porque apenas o fato de estar se aventurando já é um tipo de besteira que pode - e normalmente faz - levar à morte. Além do que, cada vez que alguém diz “Então, rolem Iniciativa”, é um momento que deixando a estupidez de lado, pode facilmente trazer aquela velha (ou velho, se você gosta do Discworld) de foice para visitar os personagens. Afinal, combates são decididos em grande parte pela habilidade JUNTO da sorte. E acreditar que a sorte sorrirá sempre aos personagens sem uma mãozinha do Mestre é, bem, muito improvável.
Daí vem aquela história de “Mestre assassino”. Ah, por favor. Se a cada briga que os personagens entrarem eles saberem que pelo jeito de mestrar não tem jeito deles morrerem, que heroísmo há nisso? Até eu que sou covarde iria enfrentar o tráfico nas favelas desse Brasil se soubesse que sou praticamente imortal.
Você diz “nunca fez qualquer tipo besteira”. Pra mim, além do que disse acima, já é uma besteira entrar em qualquer combate. Então, entrou em um, saiba que pode muito bem não sair dele vivo.
No mais, é isso. Abraços!
June 18th, 2008 at 8:31 am
Ainda comparando WoW o D&D, no WoW quando alguém ressucita o que acontece com ele depende do local que ele está e de quem ressucita.
Por exemplo, no WoW somente Priest,Druidas e Paladinos que podem ressucitar um char e o poder de “ressar” de cada um é diferente, druidas e paladinos não podem “ressar” em combate somente priest, os druidas “ressam” 1 vez por hora, mas também temos um entidade chama Spirit Healer, um anjo que ficam nos cemitérios espalhados pelo mundo, quando você morre e o seu espirito se separa do corpo você vai para esses semitérios ai você pode escolher “ressar” no anjo ou seu espirito vai ter que encontrar seu corpo para poder renascer sem nenhuma consequencia, mas caso vc ressucitar no anjo todos seu status caem pra 90% e sofre uma perda de 10% de sua armor …
é isso …
June 18th, 2008 at 2:44 pm
Verdade Kareen… embora possa não parecer… Esse jogador… Meus personas evitavam confrontos diretos… normalmente interpretava clérigos de deuses não-guerreiros…
Eu jogava com a turma do Cabelo. Ele costumava ser bastante camarada em relação a isso… então, acho que meus personas não fizeram besteira suficiente pra serem eliminados. Acho que é só, abração proces.
June 20th, 2008 at 7:37 am
Ah, Waltinho, eu achei que você falava de seus jogadores e não de você mesmo.
É realmente possível um ou outro caso particular de pessoas que interpretam personagens com genuíno interesse em permanecer vivo (independente das imensas facilidades de voltar à vida que o sistema oferta).
Mas no âmbito geral, a situação, que eu conheço ao menos, é como eu expus.
O resto é a exceção que comprova a regra!
É isso. Abraços!