Nov

20

REC

Escarrado por kareen_dulak

por Kareen Dulak

REC é o título de um filme espanhol que está passando pelo Brasil e do qual já foi feito um remake americano com o título de “Quarentine”.

Para uma resenha sobre o filme de uma perspectiva cinematográfica eu recomendo que procure em outros sites, já que meu objetivo aqui é fazer uma resenha mais, digamos, pessoal, em particular sobre a perspectiva do filme.

Bem, o filme tem como foco um repórter e seu cameraman – o Pablo – que estão gravando uma reportagem sobre o dia-a-dia dos bombeiros de Barcelona. Evidente que não fica só nisso, ou seria algo que o Herzog faria. A central recebe uma chamada para socorrer uma mulher aparentemente histérica em certo prédio. E lá vão eles. Os bombeiros com a equipe da TV a tira-colo sobe até o apartamento da senhora que estava gritando e então… o filme começa, apropriadamente.

Não tem porque negar: é um filme de zumbis. Chame do que quiser: infectados, afligidos, doentes, febris, maculados, olhudos, sorridentes, come-tripas, rosnadores, desmortos, renascidos, tantos faz. São zumbis.  O modus operandi é sempre similar: eu quero sua carne e vou mordê-la para obtê-la.

Então sabe-se que haverá correria, haverá gritos, sangue (ooooooze) e morte. E eventualmente alguns risos, porque zumbis zumbizando são divertidos – de ver de longe.

A perspectiva do filme é a do cinegrafista. No estilo de Bruxa de Blair e Cloverfield (que, soube, foi feito depois, mas como exemplo é mais conhecido do que REC). E há algo nesse tipo de filme que SEMPRE em incomoda: que não larguem a maldita da câmera para trás.

É simples realmente: câmeras pesam e são desajeitadas. Até as de mão incomodam se você tem que correr segurando uma, imagina as mais tradicionais que são as de ombro. É tão crível uma pessoa carregando ferrenhamente a câmera em momentos de absoluta tensão e horror só com a desculpa de “registrar para a posteridade” quanto se houvesse alguém que insiste ferrenhamente em carregar um saco de 5Kg de arroz em momentos de absoluta tensão e horror, pensando que futuramente terá fome. No momento que eu estivesse subindo correndo uma escadaria, com zumbis no meu encalço, não daria outra: é levantar o trambolho e jogar na cabeça do desgraçado que vem atrás.

A única explicação razoável para mantê-la a mão seria para utilizá-la como lanterna. Só que então tudo teria de estar no escuro e daí a perspectiva do filme muda. Outra opção seria a do sistema interno de vigilância, como num mercado, ou num cassino; só que, então, não teria como fazer as cenas de “Cena 167: Zumbi vem na direção do ator babando. Sonora: Gritos e rosnados. Diálogo: ‘Meu Deus! Ahhhhh.’” Ficaria naquela perspectiva de Deus: você vê a cena toda, vê o zumbi se aproximando e quer gritar: olhe para trás, seu burro! Tem a sua atração e é possível fazer um filme assim.

Outra opção: a câmera embutida. Não é algo que a pessoa envolvida esteja controlando. Ela apenas está ali: enfiada num capacete, numa lapela, etc. Quem controla é alguma equipe longe, o que possibilitaria zooms e outros usos de recursos da câmera. Então nós seríamos a audiência da audiência (da equipe que controla a câmera, seja de TV, seja a polícia).

Em todo caso, apesar desse pesar, é um ótimo filme. A cena final é particularmente boa, até porque ali a câmera tem todo sentido de ser usada como um objeto precioso.

Recomendado. E algo me diz que o remake ficará aquém do original.

7 Responses so far

pronto, agora terei que assistir aos dois para tirar a prova !
otima dica, Kareen (as usual)

[REC] é muito legal e divertido, apesar do final ser explicadinho e mastigadinho demais pro meu gosto. Não me importo quando um filme deixa lacunas.

Mas é um bom filme. Dá um medão…

Hummmm… explicadinho? Achei que ficou bem longe disso. Há sim sugestões de explicações, mas essas não são definitivas, deixando boa parte para suposições. Tanto que entre aqueles que eu conheço e viram o filme não há consenso sobre as causas do efeito.

E tenho quase certeza de que se você, Fabiano, desse o seu quinhão do que entendeu, seria em boa parte diferente do que eu e outros compreenderam.

Enfim, há alguma luz de explicação – maior do que teve, por exemplo, n’O Cubo – mas deixa, como deve, boa parte para a audiência decidir.

Abraços!

Saudações!

Cara eu gostei. É um filme que foge da velha receita do terror hollywoodiano e de certa forma possui melhor verossimilhança que muito deles. Inclusive Blair.

No mais, ao que se propõe ele cumpriu bem o papel. Consegue passar deliciosamente a tensão, com tomadas inteligentes e atmosfera desesperadora.

Quanto à câmera subjetiva, bem…é justamente o que tempera o filme. E, por mais absurdo que possa parecer, na situação mais desesperadora, ela serviu como meio de iluminação não?

Grande abraço.

Ainda não tive oportunidade de assistir, mas realmente, em uma sitação de grande tenção eu não estaria carregando uma camera. Em situações como essas quanto mais leve é melhor para correr^^

oooi!
você diz que o final está mastigado?
por favor expliquem – me
ontem cheguei em casa e ja fui logo procurar foruns sei lá! algo que me explicasse aquele final depois de um puta filme!

Eu tbém não acho que ficou nada mastigado.

Eles deram uma explicação parcial e utilizando um recurso bem inteligente, na minha opinião.

Adorei o filme. Estamos precisando de mais destes.

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