Aventura-Solo – Parte 7: Entre a vida e a morte.
As Opções vencedoras foram: “Thomas” e “Não tenho o dinheiro. Que tal um Escambo?”
Entre a vida e a morte
Você considera suas opções e então decide arriscar.
“Bem, Sr. Agente, eu não tenho todo este dinheiro. Ofereço um Escambo.”
O clérigo funerário, também chamado de agente arregala os olhos em indisfarçada surpresa e em seguida parece querer perfurá-lo com o olhar, o canto da boca retorcido num esforçado sorriso.
“Você é esperto, jovem.”
“Thomas.”
“Você é esperto, Thomas. Sabes bem que um comerciante honrado não pode negar um pedido de escambo. E não me dê este olhar, você é um bardo, sabe mais que ninguém que isto é um negócio. Todas as igrejas são, em honra a nossos deuses devemos prosperar. Então aceito seu escambo sob uma condição.”
“Não comece com isto…”
“É simples. Eu realizo o ritual e em contrapartida você utiliza este amuleto mágico que nos avisará quando você for chamado pela doce voz do além. Nós o buscaremos e o enterraremos sob nossas terras.”
“Isso quer dizer que vocês terão a posse do meu corpo?”
“Quer dizer que você será enterrado próximo a seu pai. Nada mais.”
Você desconfia, mas não tem outra escolha. Você ofereceu o escambo e retirar o pedido poderia significar a perda do maior bem do bardo – sua palavra. Acenando positivamente ao ver que você tem que aceitar, o clérigo sai para preparar o ritual.
Duas horas depois, você se encontra defronte o corpo de seu pai, repousado numa mesa de pedra. Ele teve seu cabelo raspado, as unhas cortadas e seu corpo foi coberto por um pó branco que preservava o corpo e, segundo os agentes, prevenia que o corpo fosse possuído por espíritos ou demônios.
O amuleto que lhe foi dado é azul turquesa – “Sinal de que você ainda é puro, Thomas” – e pulsa quase imperceptivelmente.
O ritual se completa entre cânticos e incensos. O ar estala e crepita como uma fogueira e a energia mágica forma uma silhueta azulada humanóide, despojada e desdenhosa, ombro apoiado numa coluna imitando os trejeitos de seu velho, com o mesmo sorriso. O agente acena para que você diga seu adeus.
Você tem apenas duas palavras e muitas perguntas:
“Quem foi?”
A silhueta senta-se junto ao corpo na mesa de pedra, como se tudo fosse muito natural e apontando para a porta olha para o agente, que se levanta em reverência e deixa a sala.
“Conde Coldbrig.” ecoa uma voz fantasmagórica, de além dos planos materiais.
Você tentou perguntar quem era este, mas a silhueta se desfez tão rapidamente quanto apareceu. Agora suas dúvidas são ainda maiores e as respostas são escassas.
Você deixa o templo, após acompanhar o enterro. Realmente estes caras sabem fazer uma bonita homenagem, você pensa. Enquanto caminha sem rumo você sente uma presença, que se dispersa assim que você decide dar um pouco de atenção.
Alguns minutos depois, sua mente está ocupada demais para notar que está sendo seguido e ao passar por uma esquina sem movimento dois elementos se fazem notar, seguido por um terceiro. Você está cercado.
Um deles se parece muito com a sombra que você seguiu até o beco. O homem sorri com brilho nos olhos, como se já o conhecesse. Você tenta se controlar para não se lançar sobre ele.
“Agora é sua vez, bastardo!” – O ser diz em voz gutural, revelando qualquer coisa de inumana, enquanto sua mão brilha em azul produzindo rápidos estalidos. Magia.
Esta é a hora que todo guerreiro anseia. O prenúncio da batalha, o silêncio que anuncia a última chance de recuar. E você só tem uma coisa a fazer.
Seguindo mais um instinto do que realmente um ímpeto racional, você se esquiva de um raio azulado que chamusca a parede ao seu lado. No entanto, não consegue impedir a lâmina de um dos homens de chegar-lhe às costelas – talvez o agente funerário tenha a oportunidade de enterrá-lo antes do previsto. A lâmina reta e enegrecida do terceiro é repelida pela sua, que com um contragolpe rápido consegue desarmá-lo. O metal negro cai sonoramente no chão, e por um breve momento você acompanha sua trajetória com os olhos. Idiotice.
O homem de habilidades mágicas dá um sorriso distorcido quando percebe sua distração, e você nota tardiamente quando ele lhe golpeia com uma lâmina curva. O que aumenta sua raiva não é a dor do ataque, mas o fato de sentir algo mais – veneno. Sentindo a sua perna paralisar, você pragueja, amaldiçoando a prole desse desgraçado. Vendo que está em uma posição muito desfavorável, resolve tentar correr e subir nos vários barris, onde imagina que ficará menos vulnerável.
Talvez por ser inesperada e insana, a manobra é bem sucedida. O patife que perfurou suas costelas tenta em vão atacá-lo, mas consegue cortar a tira de couro que prendia a harpa ao seu cinto. Ela cai no chão de pedra, fazendo muito mais barulho do que o esperado. Na verdade o instrumento emana uma poderosa onda sonora, que por muito pouco não atinge você mesmo. O covarde cai no chão, atordoado, enquanto os outros dois avançam na sua direção.
Estando acima dos seus adversários, você poderia se preparar melhor para os ataques – ou era isso que imaginava. A perna debilitada atrapalha muito sua movimentação, e um ataque inesperado de um dos seus inimigos o deixa ainda mais vulnerável: o homem que você desarmou poucos segundos atrás, demonstrando uma força descomunal, derruba um dos seus apoios, e você cai sentado no chão, duplamente humilhado. Desgraçados.
Reagindo o mais rápido que pode, você chuta o joelho do assassino desarmado, que por sorte perde o equilíbrio e cai no chão. Esticando o braço para pegar a espada de metal negro, você mal olha quando arremessa a lâmina na direção do homem – mas escuta o barulho oco da lâmina penetrando carne, e torce para também haver veneno ali.
Com o assassino do seu pai, no entanto, a sorte não é a mesma. Aproveitando-se do fato de você estar no chão, ele desce o punhal certeiro no seu estômago. Gritando de dor e raiva, sentindo o gosto de sangue na boca, você xinga e desfere um chute no desgraçado. Com a violência do golpe, o sujeito se afasta – tempo o suficiente pra que você desembainhe sua própria espada e o ataque. Ele parece prever suas intenções, e as lâminas se cruzam, barulho de metal cortando a noite.
Porém você tem um trunfo ao seu favor: com a mão livre e estando no chão, bastou juntar um pouco de lama e areia, que com um arremesso perfeito chega ao rosto do assassino. Ele recua, dando o espaço e tempo suficientes para que você possa levantar. E você o faz, mas não sem humilhar seu adversário – um ataque certeiro no joelho o deixa ao chão, à sua mercê. E então?
Entre a vida e a morte:
- "Isto não vai ser bonito de se ver, mas eu vou adorar cada segundo..." (37.0%, 7 Votes)
- "Por quê? Por que assassinaste meu pai cria demoníaca?" (32.0%, 6 Votes)
- "Quem é Conde Coldbrig? Fale ou então..." (32.0%, 6 Votes)
- "Tua morte será piedosa e indolor, não te preocupes" (0.0%, 0 Votes)
Total Voters: 19
Esta Enquete se Encerra no dia 04 de Fevereiro, ás 18:00
P.S.: Esta cena de combate eletrizante foi escrita por Allana Dilene que já nasceu com nome de personagem de RPG e ganhou aqui um fã. Um dia chego lá! ;-)
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13 Responses so far
waltinho
January 28th, 2009
4:28 pm
Olá Rey, meu camarada. Votei na intenção de saber quem era o Conde Coldbrig, já que a princípio, respostas podem ser muito interessantes para o Bardo! Abraço.
Kareen Dulak
January 28th, 2009
4:38 pm
Realmente, uma boa referência.
Quanto à escolha tive de pesar a “realidade” (sim, com aspas) e o drama. Pelo drama, uma conversa, pingando de ameaças, volteios e desafio é bem vinda, Shakespeare que o diga.
Mas a “realidade” diz que: A) Sob tortura o assassino talvez fale, mas o Thomas – agora com nome! – morre antes por envenenamento e/ou sangramento. B) Sem tortura, com o interrogador sangrando às bicas com o estômago perfurado, e com o interrogado ainda incólume e armado, nada advirá de questioná-lo além de sarcasmo e escárnio. Ou seja, no que tange a informações, devem existir pessoas e, principalmente, SITUAÇÕES melhores para perguntas. Então, desconsiderei as duas opções que têm pontos de interrogação.
Restou, portanto, as ameaças – ao que tudo indicam – vazias (mas vai saber, é meio D&D, então vai que o cara surta! Ai, Gezuis…), e neste ponto, voto em cuspir sangue no chão, dar aquele sorriso insano de Coringa com os dentes rubros e dizer: “Isto não vai ser bonito de se ver, mas eu vou adorar cada segundo…”
Este foi meu voto. Abraços!
Carl Enry
January 29th, 2009
1:34 am
“Por quê? Por que assassinaste meu pai cria demoníaca?” e em seguida um “Isto não vai ser bonito de se ver, mas eu vou adorar cada segundo…” dada as circunstancias… assim ao menos ele dá o motivo, ou simplesmente REAFIRMA o que o sr. Thomas já sabe a respeito do Coldbrig. Ou não.
Quanto ao texto da Allana… nota 10 pra ela!
edy
January 29th, 2009
9:57 am
é, essa batalha me deixou sem fôlego!
Rey, que tal colocar um resumáço no início de cada novo “capítulo”? É que eu leio tanta coisa que em uma semana acabo esquecendo alguns fatos…
Michel
January 29th, 2009
11:04 am
Adorei a cena de combate, mas o nosso herói está completamente destroçado e envenenado… não dá pra parar e conversar nessa situação. Na verdade não imagino nem como ele conseguiu dar um chute, ainda mais se levantar depois de uma estocada no estômago. Nosso personagem deve ser de algum sistema que utilize Hit Points pra ainda estar de pé.
Qualquer pergunta significaria dar tempo ao inimigo para responder (e se recuperar). E tempo é uma coisa da qual Thomas não dispõem no momento.
“Isto não vai ser bonito de se ver, mas eu vou adorar cada segundo…”, com certeza. E depois… bora fazer mais um escambo com o clérigo.
Allana
January 29th, 2009
11:53 am
“Na verdade não imagino nem como ele conseguiu dar um chute, ainda mais se levantar depois de uma estocada no estômago.”
Bem, digamos que… era dramaticamente adequado. XD
Michel
January 29th, 2009
1:32 pm
Não duvido disso. Na verdade, estou lendo a trilogia The Shadow of the Avatar, do Ed Greenwood e onde esse tipo de esforço é bastante corriqueiro. Personagem perdendo um braço e continuando a lutar só com o outro e tal. Praticamente como o Cavaleiro Negro do filme do Monthy Python. (Tá, exagerei um pouco).
Não considere uma crítica, Allana. Só estava buscando justificar que, a beira da morte, algumas opções não seriam as melhores.
waltinho
January 29th, 2009
1:36 pm
O texto da Allana ficou muito bacana, de fato. Também, de fato, esse Bardo é Ninja. E quanto a procurar o Clérigo, creio que vá ser preciso, o cara tá detonado…. a não ser que ele tenha alguma Poção pra Curar Ferimentos Críticos!
Kareen Dulak
January 29th, 2009
2:36 pm
Vamu lá povo! Votem na opção em que o Thomas retirará as próprias tripas do buraco na barriga e com elas espancará e depois enforcará o maldito assassino!
Duvido que será assim, mas… PODE ser. Então já vale pela possibilidade.
Abs.
waltinho
January 30th, 2009
4:32 pm
Se ele demorar muito, vai ter que fazer um teste de Constituição pra ver se aguenta continuar o interrogatório ou o que intenciona fazer… E se não passar no teste, acho que vai perder alguns pontos de vida por turno antes de chegar a 0. Acudam o moço pessoal!
Allana
January 31st, 2009
10:22 pm
Michel, eu não levei realmente como uma crítica, não se preocupe.
edy
February 5th, 2009
8:40 am
E viva a licença poética!
Cadaveres, que empate é esse?!?!
5 a 5 a 5!!
edy
February 5th, 2009
4:21 pm
Aew, desempatou!
E faltam menos de 1:30 para acabar!
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