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Aventura-Solo – Parte 8: Vingança Envenena

Escarrado por reyjr

PREVIOUSLY…
Resumo da história até o presente ponto:
Você era um Bardo Bon Vivant que gozava de privilégios e salvo conduto onde quer que fosse. Não pela sua pessoa em si, mas pela sua condição bárdica que destrancava os cadeados das cidades, das tavernas e, em segredo, dos cintos de castidade de belas moças.
Certo dia você se deparou com uma cesta em frente sua porta e dentro dela uma criança. O bilhete dizia que o filho era seu, e que havia um marido bastante zangado á sua procura. Maridos zangados eram fatos corriqueiros, mas este era o Conde da cidade onde você havia decidido passar alguns meses.
Fungindo para fora da cidade, você decide criar a criança e passar a ela seu legado. O tempo passa rapidamente, ele cresce e você envelhece. Os dois tornam-se amigos além de tudo e Thomas, seu filho, aprende muito rápido. Certa noite após mais um porre homérico, você se recolheu para dormir enquanto seu garoto se esgueirava para o quarto de mais uma garçonete. E nunca mais acordou.
Você acorda em meio a madrugada. Você é Thomas, versado em poesias musicadas, harpa, sabre e um pouco de magia. A garçonete ao seu lado é Marie – bem, elas nunca tem um nome então você as chama todas de Marie – e dorme um sono exausto depois de trabalho intenso. Ao dirigir-se para seus aposentos, para manter a tradição familiar de dormir acompanhado e acordar sozinho, você nota um vulto sainda do quarto onde você e seu pai estavam hospedados. Este vulto guarda uma adaga e você o segue. Utiliza um truque mágico para se tornar invisível e escuta o vulto dizer que só faltava eliminar você.
Ao voltar a seu quarto você se depara com o corpo de seu pai, morto porém intacto a não ser por uma letra “C” cortada na face. Em poucos minutos os guardas aparecem, satisfazendo o clamor popular. Você se livra da situação, explicando que é filho da vítima e prestando um longo depoimento.
No templo fúnebre, lugar para onde seu pai foi levado, o clérigo oferece um ritual que lhe permite trocar duas palavras com seu velho. Você aceita e a alma do velho bardo diz “Conde Coldbrig”.
Saindo do templo, preocupado com toda a situação e avaliando o colar que o clérigo lhe forneceu você nota tarde demais que está cercado por três indivíduos – dentre os quais você reconhece um como sendo o assassino do bardo. A luta é feroz, mas você derrota seus oponentes. E o que faz com o assassino é exatamente o que você fica sabendo agora.
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A opção vencedora foi “Isto não vai ser bonito de se ver, mas eu vou adorar cada segundo…”

Sentindo o gosto de cobre no sangue na boca você cospe e, levado ao limite pela morte de seu pai e pelo ataque covarde desses brutos, abre um sorriso maníaco enquanto profere: “Isto não vai ser bonito de se ver, mas eu vou adorar cada segundo…”
Você dá dois passos a frente e o assassino limpa os olhos, apenas para ver seu sabre deslizando, como uma faixa de prata sob o luar, na direção dele. Seu golpe atinge seu objetivo ao cortar por entre pele, músculos, ossos e dentes, praticamente arrancando a mandíbula do assassino, que fica ali pendendo frouxamente, como um cachecol.
O assassino uiva de dor, o verdadeiro grito dos condenados, que usa apenas a garganta para ser feito.
“Sabe”, você começa a falar, como tal descaso que poderia estar conversando com um amigo enquanto colhe repolhos, “eu pensei em mirar na perna ou no braço, mas aí teria que ouvir você implorando, mentindo, xingando ou mesmo tentando conjurar alguma feitiçaria. E eu prefiro que você apenas grite, aí saberei que está sendo honesto, ao menos.”
Os olhos do assassino estão arregalados pela dor e pelo horror de sua situação que tenta se afastar, mas as pernas dele não o sustentam e ele cai prostrado, tentando pateticamente segurar a mandíbula que, na queda, balançou e deve ter doído pavorosamente.
“Esse é um dos segredos do ofício”, você diz, um tom professoral. “Para provocar dor, nunca arranque totalmente. Sempre deixe pendurado, por daí a dor prossegue a cada movimento e o sangramento é praticamente o mesmo.”
Apavorado além da imaginação, o assassino tenta se arrastar para fugir, enlameando o belo manto de pano caro que denota a posição e a riqueza que ele, ou seu empregador, deve ter. A dor em seu estômago vem em ondas, saindo de seu abdômen e percorrendo o corpo todo, mas seu estado de regozijo sanguinário parece protegê-lo e dar-lhe forças para prosseguir com seus intentos.
Dois movimentos rápidos e contínuos de sua espada fende os tendões dos pés do assassino que, novamente, uiva em agonia.
Você cogita talhar a letra “T” no rosto do assassino e então matá-lo, porém uma réstia de consciência lhe invade e você decide terminar com aquilo. Levanta a espada e a enterra nas costas do assassino, que estrebucha como um peixe fora d’água e, por fim, entre sangue e urina, morre.
Seu prazer esvanece e, com ele, sua força sobrehumana para suportar o sangramento e o veneno que lhe percorre as veias. Você cambaleia e quando busca onde se sustentar uma dor inesperada explode em suas costas, mandando-lhe de encontro à parede e depois ao chão. Do solo você vê um dos capangas do assassino, aquele atordoado por sua harpa e depois soterrado pelos barris, segurando nas mãos uma tábua de madeira retirada de um dos barris quebrados. No olhar dele há nojo, quando vê seu antigo senhor morto, e, quando se vira para você, há morte. Ele abandona seu tosco pedaço de pau e coleta do corpo morto do assassino de seu pai a sua própria espada. Com a ferramenta de seu ofício nas mãos ele parece mais confiante e se aproxima para lhe entregar o que, há pouco, você entregou.
Incapaz de se defender, você apenas ouve o zumbido e, no ínfimo instante que precede a morte, pede a Ternura, Deusa protetora dos Bardos, que lhe receba em seus salões de festas e que seu pai lhe receba de braços abertos, sabendo que fora vingado.
Então, o grito.
Não o seu grito, porém. Do capanga, atingido no ombro por um virote de besta.
Na sua visão, enfraquecida pela perda de sangue, tudo são sombras, no entanto é capaz de distinguir um grupo delas se aproximando com pontos brilhantes, tochas provavelmente, nas mãos e bradando ordens e ameaças: “Larguem as armas e se ajoelhem ou se preparem para morrer!”
Ao fundo uma voz berra: “Cuidado com os barris! São de carvalho nobre! Malditos arruaceiros! Bandidos!”
O capanga deixa a espada cair com um resmungo e se ajoelha, segurando o ombro ferido.
O comandante sobreolha o local de sua luta e o vê. “Ele não esteve no corpo-da-guarda ainda esta manhã?”, pergunta ele a um de seus soldados.
“Sim, Comandante Kell”, responde o soldado, mecanicamente. “Morte do pai na estalagem, Comandante.”
“Do pai? Coisa terrível. Bêbado?”
Um dos soldados se destaca do grupo e se aproxima de você, para cheirar a você.
Não, Comandante. Apenas ferido.”
“Clérigo!”, berra o Comandante. Do meio da formação de seis soldados surge um homem de manto rubro – para você, apenas outra sombra. “Cure-o”, ordena, apontando para você. “Mas não muito. Só para parar de sangrar. Ainda não sabemos o que ocorre aqui.”
O clérigo aproxima-se de você e toca a sua fronte, com cuidado, para então começar a orar e, em alguns instantes, você se sente muito melhor. Enquanto o sacerdote exerce suas artes, o comandante avista o corpo devastado do assassino de seu pai e se recolhe, assustado.
“Comandante! Ele está envenenado também!”, alerta o clérigo.
“O que diabos?”, xinga o comandante.
O veneno faz seu trabalho e você começa a ter espasmos e sua consciência se esvai.

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A Enquete termina dia 09 de Fevereiro (Segunda) ás 18:00.

Esta referência (e mais outras duas, que não foram publicadas) foi escrita pelo meu amigo e ocasional Oozer Tiago ‘Kareen Dulak’ Perretto. Sem palavras, brother!

Prometo que a próxima eu escrevo, já estou ficando mal acostumado !!!

Edit: EXTRA!! EXTRA!! Kareen Dulak postou eu seu blog Campos de Batalha o que teria acontecido caso outra opção fosse a vencedora. Bem bacana!

4 Responses so far

Hurray!

Tá interessante essa história… hehehe…

Caramba, o Thomas tá tão ferrado que resolvi dar uma colher de chá para ele, hehe

Ah, acho que diante da situação, uma cela é até bem vinda… ante sua quase-morte! Depois, de qualquer modo, ele poderá se explicar com o chefe da guarda.

O que vier é lucro, então nada melhor que uma cela bem fedorenta…

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