Aventura-Solo – Parte 9: A verdade dói.
A Opção vencedora foi “Numa cela cheirando a mijo e mofo no Forte de Ferro, alegre por ainda estar vivo”
A verdade dói
Sua cabeça dói. Seu estômago dói. Você acorda sobressaltado por um pesadelo. Uma aranha com cabeça de mulher parecia copular com um homem enquanto dizia sem cessar “Mastho…Mastho…Mastho…”, repentinamente a criatura percebe que você está observando a cena e lhe encara com olhos esbugalhados “Nhaven!!”.
O suor frio percorre seu corpo e a sensação de angústia só piora quando você percebe que está agrilhoado contra a parede fria. Você enche os pulmões e grita por socorro. Durante horas. Em seu ventre um curativo empapado em sangue já enegrecido. E você volta a desfalecer.
“Mastho…Mastho…Mastho…”
Um balde dágua – pelo cheiro, seria urina – o desperta e desta vez um vulto posta-se á sua frente.
“Bem vindo á minha casa. Bem vindo ao Forte de Ferro, como muitos a conhecem.”
“Quem…”
“Não se esforce, Nobre convidado. Eu não quero que você tenha uma crise agora que seu corpo está se recuperando. Eu sou Conde Coldbrig, á seu dispor. Custou-me muito cara a permissão do Duque para reclamar seu corpo, não faça com que tenha sido em vão.”
Você tenta reunir forças e seu estômago queima. Dê um só impulso você estica as correntes e vai de encontro ao mandante. As correntes o impedem, quase deslocando seus dois ombros mas você não cai. Fica teso, ereto frente á frente com o assassino.
“As correntes foram feitas á ferro frio, sabe? Você nunca vai escapar daí a não ser que eu permita. Você deve estar se perguntando o por que, não?”
“euvoumatalocomofizcomseucapanga…”
“Tente se recuperar, bastardo. Sua hora se aproxima e você precisa estar em plenas condições para o ritual. E fique descansado, pois estou guardando seus pertences como eles merecem. No estábulo.”
Ao terminar a última sentença, o Conde deixa sua mão á mostra e ela está enfaixada com ataduras. Talvez ele tenha lepra. Talvez tenha se queimado. E ao pensar nisso você se recorda de seu pingente. Ele está quente, ainda pendurado ao seu pescoço, mas o azul deu lugar á um violeta escurecido pulsando com veios negros partindo do centro.
Você tenta pensar em uma saída, mas não parece haver muito o que fazer.
As horas passam e um sino do lado de fora anuncia cada uma delas. No meio da fria noite, quando o sino anuncia a meia-noite com suas doze badaladas, a porta se abre. Sua visão está clara, aguçada. O efeito do veneno passou e você se concentra apenas no ódio. Seu pai teria desaprovado, mas nada disso importa agora. O vulto do Conde está parado na porta, junto dele um sabre que reluz a lua argêntea. Em sua outra mão, ele traz um aparato ovalado, dourado.
“Sabe, garoto, você não tem culpa” – o conde começa dizendo. “Tudo o que você fez, foi nascer. E isso já basta para o mundo. E eu peço perdão aos deuses pela dor que serei obrigado a inflingir. Só há este modo, porém.”
Você reune todas as suas forças, seu ódio e sua sede de vingaça. Prevendo que você será o próximo a ser assassinado por este monstro você força as correntes. Elas não cedem, mas inacreditavelmente, a parede sim. Um bloco de pedra não aguentou a pressão aplicada e soltou os dois parafusos de ferro. Um de seus braços estava livre e você estava pronto para puxar o outro quando recebeu um banho do que parecia ser ácido. Seu corpo queima e você se joga no chão para aplacar a dor.
“Sabe, com esta eu não contava” – você ouve no fundo da mente – ” Subestimei seu poder, demônio.”
O homem parece se aproximar, pois o objeto dourado, como se fosse uma urna oval ilumina a cela em luz dourada. Você nota, enquanto se debate, que o conde irá aplicar-lhe o golpe de misericordia com o sabre que um dia foi seu. E você tenta fazer as pazes com os deuses. Sem sucesso.
Uma estocada vigorosa atravessa seu ombro e o paraliza.
“A prata” – diz o conde com casualidade sádica – “É o único meio de deter um demônio. Ou um filho deles, sabe? A prata anula a corrente mágica. O veneno não mata, mas prejudica. E a água benta queima. O ritual de exorcismo requer que você esteja limpo e você acaba de se urinar. Desejas que eu finalize aqui e agora o ritual ou gostaria de assear para que sua alma passe pelo julgamento divino?”
“d-diga-me o o que está havendo…”
“Você não sabe mesmo não é, cria?” – o conde retira de uma só vez o sabre de seu ombro, causando uma dor excruciante – “Você é filho de um demônio e de um bardo que ele tomou como consorte.”
“m-men-tiroso!”
“Garoto insolente, não vês que sou um clérigo? O título de conde foi me dado por conta de minhas vastas terras. Minhas ovelhas as ofereciam e eu tomava de bom grado enquanto as guiava pela pradaria que é o paraíso. Isto que lhe queimou foi água benta, prova inconteste de que és um abissal. Como eu havia dito, você não tem culpa, mas não tem lugar em nosso mundo. Terás que ser expurgado. O Duque me cobrirá de honras quando perceber que eu livrei suas terras de mais um demônio.”
O conde perde você de vista vangloriando-se e acalentando seu ego. Não percebe que sua mão alcança o bolso e dentro dele a última porção de cristal em pó. Antes que ele consiga imobilizá-lo novamente você desaparece.
Diz-se que os demônios não precisam de componentes para fabricar sua magia. E este não parece ser seu caso. Sua forma fantasmagórica corre livre cela afora, insubstancial ao material e invisível aos mortais. No final do corredor você vê uma porta entreaberta. Á sua esquerda o corredor prossegue por muitos metros antes de penetrar em escuridão. Á direita, uma escada sobe espiralada. Para onde agora?
Qual direção seguir?
- A escada espiralada. (46.0%, 12 Votes)
- A porta entreaberta. (42.0%, 11 Votes)
- O corredor da esquerda. (12.0%, 3 Votes)
Total Voters: 26
Esta enquete se encerra dia 14 (Sábado) ás 18:00.


10 Responses so far
Carl Enry
February 10th, 2009
11:08 am
Uia! Fidocapeta! Era o q faltava pra vida desse filho de bardo!
Tá escrito certo lá em cima, na apresentação do Coldbrig crisa ou é crise? O.o
edy
February 10th, 2009
11:53 am
eita, caceta de agulha!
por essa eu não esperava NUNCA!
waltinho
February 10th, 2009
4:47 pm
Caramba, Rey essa foi de nanar! Filho de demônio com bardo! Votei na porta entreaberta… era a saída mais rápida… ou a entrada, sei lá!
Marcelo Dior
February 11th, 2009
1:22 am
Estou curtindo muito essa aventura-solo-coletiva (faz sentido? Faz!). Mas, se o clérigo queria que ele se recuperasse e tivesse saúde para o ritual, então porque jogou um balde de urina num cara com uma ferida aberta?!
reyjr
February 11th, 2009
10:03 am
Marcelo, valeu pelo Comment!
Eu não acho que este clérigo esteja muito são! E tu nunca ouviu falar em urinoterapia? AHAHAHAA
Michel
February 11th, 2009
11:18 am
Vocês me desculpem, mas no meu grupo (e não só nele) existe um lema: “na dúvida sempre escolha o caminho da esquerda”.
Carl Enry
February 11th, 2009
4:35 pm
Na dúvida, pega o abade… nesse caso pega de pancaaaaaaaaaaaada!!!!
Rocha
February 11th, 2009
9:09 pm
De acordo com a regra, avisando que há um convite para o meme Aleatoriedades esperando aqui: http://www.amatilha.com.br/blog/meme-aleatoridades/
Kareen Dulak
February 12th, 2009
10:55 am
O Guia de Sobrevivência aos Zumbis, e é um Guia para a vida realmente, diz claramente que ficar preso em porões é morte certa.
Logo, up we go! Mas não muito up, que em sótãos a coisa encrenca também. Térreo, essa é a pedida.
E convenhamos, se aquilo era mesmo água-benta e o Thomas é mesmo um demÔnio, vou torcer é para o Conde! Que nem torci para o policial no filme Devil’s Reject.
Abs.
edy
February 13th, 2009
9:57 am
Um amigo meu tem uma tara muito louca: Gosta que urinem em seu peito!
Nunca tinha pensado nisso, mas acho que ele influenciou muito o nome do blog, hahuahuhah, cara bizarro demais!
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