Apr

3

Aventura-Solo – Parte Final: Requiém.

Escarrado por reyjr

A Opção vencedora foi: Interrogar a tarântula de sete patas. Ela há de falar nem que seja por sinais!

Requiém

Você se dá conta de onde está e age rapidamente: pulando sobre a aranha, que está incapaz de reagir, você a agarra fechando seus punhos com força, ajoelha-se e com o aracnídeo entre as mãos começa a vociferar.
“Cria das profundas do Abismo, vai me dizer o que está acontecendo!”

Você mal tem tempo de notar o quão ridícula a cena parece quando ouve em sua mente uma voz feminina e doce.

“Claro que vou, Thomas. Tudo o que eu mais queria era falar contigo”. A voz prende sua atenção de maneira tal que você não consegue ignorar – doce, suave, quase hipnótica. “Estou presa nos planos inferiores, utilizando-me desse lacaio para observá-lo, cuidá-lo e não deixar que nada de ruim possa acontecer a meu primeiro e único filho.”

Você tenta reagir, argumentar, mas parece impossível, e ainda é capaz de sentir as mãos de Svanja sacudindo-o, mas por mais que queira não consegue se mover. Mal nota quando um calor percorre seu corpo e é descarregado na elfa, de modo que você sequer pode controlar. Ela não mais importuna. A voz melodiosa e doce é tudo o que você deseja ouvir.

“Seu pai foi escolhido por uma razão, Thomas. Ele tinha qualidades que lhe poderia ser útil. Seu pai nunca foi importante. Você era o centro de tudo, desde o início e eu teria cuidado de você pessoalmente não fosse aquele Conde me exorcizar e me prender aqui. Fique comigo e sinta sua herança fluir.”

As coisas faziam sentido, agora. Sua vida fazia sentido. Desde seu nascimento você errava pelo mundo, seguindo os passos daquele bardo sem objetivos.
Suas mãos não mais pressionam a aranha e há algum tempo ela está repousando nos seus ombros, sussurrando-lhe seu propósito de vida.

“Vê, filho meu, como o destino conspirou para nossa união? Todas as ferramentas foram-lhe oferecidas, tentações e caminhos diferentes se puseram à sua frente mas, mesmo inconscientemente, permaneceste fiel a mim.”

Impossível negar as verdades nessas palavras. Muitas vezes você escolheu as saídas mais violentas, as barganhas fáceis e os feitiços arcanos. A espiral descendente estava intrínseca em seu sangue e não havia mais como negá-la. Svanja havia lhe dito para não dar ouvidos à criatura apenas para evitar que sua vida se tornasse plena. Agora você entende que o calor que lhe percorria a espinha era o poder arcano crescendo. Você se sente capaz de conquistar o mundo.

“É isso, meu filho. Meu arauto. Prepare o mundo para o retorno triunfal de sua mãe e tudo pertencerá a nós!”

Você é capaz de conquistar o mundo – e por que não fazê-lo? Influenciado pela doce voz de sua mãe e guia, você passa a planejar os embates vindouros.

Uma campanha de terror terá início sob seu jugo. Antes de partir, entretanto, você segue os conselhos abismais e decide exaurir a moribunda Svanja, tomando o poder que sempre fora seu e ela lhe negou.

“Você fez muitos inimigos em sua vida, Thomas. É hora de liquidá-los”.

O próximo a sofrer sua ira é Conde Coldbrig. Nos dois dias em que você passa visitando-o, o clérigo urra, chora, implora e com um feitiço você o manda ter com sua mãe para um acerto de contas. De fato não foi uma cena fácil de ser esquecida, mas o conde mereceu ir descer às Trevas sem ter o direito de retornar a seu criador, do mesmo jeito que seus assassinos fizeram com seu pai.

O agente funerário deu menos trabalho. Este parecia já saber as boas novas e não ficou surpreso ao ver seu pingente reluzindo negro como sua harpa de ébano. A harpa, aliás, provou-se um instrumento poderoso nos dias que se seguiram, destruindo com os dedilhares corretos até as mais resistentes pilastras.

Ruína era tudo o que você deixava quando você partia – uma cacofonia de lamentações e achava isto belo. Choro, gritos, pedidos de clemência eram belas músicas aos seus ouvidos e você se sentia completo, levando a canção dos nove infernos para o mundo, abrindo passagem para o retorno da dama-do-desespero, sangue do seu sangue e com ele vocês lavariam tudo o que era conhecido pelos mortais.

FIM*

* Nota para o episódio final: Eu sei que dificilmente este episódio era o que muitos esperavam. Mas quando eu propus as opções, eu já tinha comigo qual o tipo de consequência que cada uma acarretaria. Á titulo de curiosidade, a opção “piedosa” (que não obteve nenhum voto) era a que tinha um final mais feliz, reconciliador. A opção de interrogar com o demônio transmutado era o final trágico. Eu tentei pesar a consequência de todas as votações anteriores para chegar ao resultado de cada opção e a violência acumulada gerou mais violência (Viram pessoal, nós temos uma lição de moral fajuta!).

Bem, é isso. Foi uma jornada curta “in-game” mas longa fora dele, pontuada por alguns percalços com os quais eu, sinceramente, já contava.
Espero que vocês tenham gostado desta experiência tanto quanto eu e agradeço a TODOS (Allana e Tiago em especial) por acompanharem, comentarem, votarem… efim, me incentivarem a escrever esta estória, que teria ainda muitos e muitos capítulos se não fosse a vida real ficar entrando no meio, né? Obrigado pela oportunidade de escrever este conto!
E certamente meu próximo bardo em jogos de RPG se chamará Thomas!

Abraços.

6 Responses so far

Belo final… pena q apesar d ter assumido a posição q a mãe dele sempre almejou ele continuou sendo bardo… ou seja, de macho, só o poder demoníaco mesmo! XD

O final ficou doido! Apocalíptico! :)

Ficarei esperando o próximo! :)

Puxa Rey, muito boa a estória… no caso a mãe do tomas seria Lolth? Se não, qual outra divindade maligna?
Adorei mesmo… Pode ter n capítulos seguintes, do tipo alguém encarnando um Herói (não um mero aventureiro) defensor do Bem, enfrentando o Thomas. É o mote!
Por curiosidade Rey, vc. teria um final já programado pra opção que votei: prendê-la e caso ela surgisse, vc. estaria lá (acho que era desse jeito!)?
Um abraço, walter.

@Carl – Ser eu fizer outra historia será dum Deva Invoker. Ae é macho né?

@Tio Nitro – Valeu pela paciencia de ter acompanhado. Quem sabe não voce não faz uma também em Necropia? \o/

@Waltinho, eu tinha sim.
Basicamente, Thomas nesse caso ficaria obcecado, esquecendo de viver sua vida, mas pronto para combater o mal que aparecesse, quando e se aparecesse.

Valeu pelos comments, pessoal!

Muito bacana rey, achei doido demais o final!
Na mesa que estou montando, tem um jogador que está fazendo uma personagem com um destino semelhante.. será que ele está lendo este conto fodão?

Realmente foi muito bom o conto. E o final foi coerente com toda a trajetória do personagem.
Parabéns!

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