Jan

10

Resenha: Old Dragon.

Escarrado por reyjr

Bom dia, boa tarde ou boa noite e pro meu amigo Shingo, bom crepúsculo. E feliz 2011 pra todo mundo que rola dados. Se você não rola dados, então que se f

Iniciei meu 2011 com uma grata surpresa: No último dia do ano recebi dos correios meu Old Dragon e o DM Screen nacional mais  “Elogiado pelo Elmore” de todos os tempos.

Em 2 dias li o livreto – suas regras já familiares aos jogadores veteranos e escrita simples aos jogadores novatos.

Gostei bastante do que li. Acharam que eu torceria o nariz para o OD por ele alegar ser a “antítese” do D&D 4e (do qual sou partidário, devoto, adorador, terrorista, etc)? Mal sabem que o que me viciou em D&D (mais do que em RPG) foi o estilo simples do D&D da Grow. Então eu não perderia a chance de voltar aqueles áureos tempos do RPG moleque.

Abaixo faço uma resenha sobre o livro em si e sobre como o sistema se saiu na minha primeira sessão de jogo (a segunda já está marcada!).

O volume em si.

A qualidade do Old Dragon está profissional, digna de qualquer grande editora. Papel envernizado (significando que se você esfregar a página com força usando o dedão amarelo de cheetos, a tinta borra um pouco como em todo livro).

As ilustrações estão fantásticas, escolhidas a dedo para passar aquele clima nostálgico sem deixar de ser moderno.

O texto está FACÍLIMO de ler e a revisão está incrível, já atendendo a reforma ortográfica num trabalho quase irretocável da Elisa Guimarães (Piolhos sempre existirão).

Profissional. Não esperava nada menos do pessoal do OD.

O que é o Old Dragon?

Após ler algumas resenhas sobre o D&D Gamma World RPG (eu fiz a minha própria, vasculha aí pra baixo se quiser lê-la) notei que algumas pessoas reclamavam do jogo por ele não ser o que eles achavam que fosse. Mas eles não faziam uma resenha analizando o jogo pelo que ele era ou se propunha a ser. Desde então procuro olhar para os produtos tentando ve-los pelos que são e não pelo que eu gostaria.

Assim, o Old Dragon é um sistema baseado em D&D com uma pegada descomplicada e elemental. Nem por isto monótona e sem vida. Você não verá regras para multiclasse ou classe-dupla, mas verá conceito de ordem, caos e neutralidade onde quem vai decidir se o PJ é bom ou mau é o jogador e não o livro. Ali você poderá encontrar Necromantes bondosos e Paladinos Malignos.

O Old Dragon vai evocar em seu jogo aquele clima de “heróis que ainda não sabem que o são”. É isso o que ele se propõe a fazer e é isto o que ele consegue entregar. A sacada genial fica por conta dos itens mágicos que carregam neles o alinhamento de quem os criou e assim pode conceder BEM MAIS do que o personagem imagina.

No restante o Old Dragon não faz espetaculares inovações e nem se propõe a isso. Ele fica no básico. Não tenta reinventar a roda e por isso não se perde, não exala megalomanias de criar elementos nunca dantes vistos. Não. No OD você encontrará regras simples e enxutas. Poucas delas inclusive, já que o DM é incentivado a criar e improvisar.

O que o Old Dragon não é.

Se você nunca jogou RPG na vida ou se pretende presentear tal pessoa com um Old Dragon,  saiba que ele não te pegará pela mão e te levará para um passeio. Ele não vai conduzir você do elemento mais básico do RPG até formá-lo um DM capaz de improvisar sobre qualquer situação. O Old Dragon dará os parametros básicos e aí entra a SUA massa cinzenta para fazer a máquina funcionar. O Old Dragon não lhe dirá como criar sua própria Dungeon ou como equalizar o número de inimigos para o seu grupo. Isso você vai ter que fazer na tentativa e erro. E vai aprender muito com isso. Pode não ser o ideal para TODOS os jogadores, mas os que se esforçarem poderão agradecer posteriormente pela recompensa do aprendizado. O Old Dragon não é sua babá.

E como fica tudo isso junto?

Depois de ler fui tirar o sistema á prova. Juntei um bando de macaco velho em D&D e colocaria o Dragão na fogueira. Vamos falar sobre essa sessão e as soluções ou obstáculos que o OD apresentou. Lembrando que aqui vão minhas opiniões de preferncia pessoal e aqui não utilizo o “jogo pelo que ele é ” e sim o “adeque-se ao meu gosto, jogo maldito”.

Antes da sessão eu não fazia a mínima ideia de como seria a aventura. Fiz isso de propósito pois queria saber se as tabelas de aleatoriedade do sistema me proveriam ganchos com os quais improvisar. A unica coisa que eu sabia é que o Mago do grupo ficaria sem seu grimório, que seria roubado por um elfo. Estaria aí uma das motivações para a aventurança.

Numa combinação de dados quase mágica ficou determinado que o jogo se passaria em Dezembro (12 em 1d12) no Inverno (4 em 1D4) e numa Geleira (5 no D6 na tabela de encontros aleatorios).

O grupo foi formado por dois anões (um Clérigo e um Homem de Armas), um elfo (Mago), um humano (Ladrão) e um halfling (Mago !!!!!!!!!!).

Após descrever como o Halfling fora expulso de sua escola de magia (Requesito básico pra todo halfling mago, em minhas mesas) os dois magos quase destruiram as vilas vizinhas com a implosão da torre e a consequente avalanche.

Ao perseguirem em vão um caridoso elfo que os salvou da avalanche e os aliviou do peso de um grimório, os magos foram cercados por 6 lobos (tabela de encontro aleatórios foi imperdoável) e aqui podemos considerar a primeira analize do sistema: O combate.

Pausa para explicar o sistema de combate de Old Dragon.

Numa rodada, os personagens primeiramente DECLARAM o que vão fazer. Depois disto eles rolam sua iniciativa (1d10)  e somam a ela um valor que varia de acordo com a ação que declararam. Lançar uma magia? 1d10 + (10 – Circulo de Magia). Ataque com Arma? 1d10+ Iniciativa da Arma. Mover-se? 1d10 + (Destreza / 3).
Assim você pode agir na Iniciativa 10 neste turno, já no próximo agir na 12, etc

Neste combate, 6 Lobos cercam os dois magos e um deles é pego de surpresa. Nada promissor.

Os outros personagens faziam parte de uma caravana que ia entregar suprimentos para uma cidade parcialmente afetada pela avalanche (que foi causada pelo halfling) quando viram um elfo e seu filho (?) servindo de presa para lobos famintos.

O sistema de combate no Old Dragon é baseado no AD&D onde cada arma e cada ação tinha sua própria iniciativa. É um conceito muito divertido pois há um toque de caos e imprevisibilidade, porém precisa de atenção e controle senão o DM se perde antes de dizer “Emboscada Goblinóide!”.

Recomendo aos DMs que não querem dar TPK (Total Party Kill) em todas as sessões, que fiquem atentos ás regras de Moral dos monstros e utulizem-nas.

Eu sei que fui sacana separando os magos do grupo e cercando-os sendo que um deles estava sem o grimório e os dois unicos pergaminhos eram “Ler Magia” e “Abrir/Fechar”, eu não disse que seria justo! Eu não achei, porém,  que os magos cairiam tão rapidamente, definitivamente estava acostumado com o 4e onde os magos conseguem segurar 2 turnos até a chegada da cavalaria. Havia me esquecido como os magos Old School (aqueles que não tem feats, nem pericias, nem familiares, etc) são bastante dependentes de seus aliados nos primeiros níveis.
O halfling tombou no primeiro turno, onde recebeu o ataque de dois lobos. Os lobos perdiam o interesse em alvos que não se movessem e partiam pra outros invasores de território. (Desculpinha do DM bonzinho, um lobo teria aberto a presa ao meio e consumido tanta carne quanto possível no menor espaço de tempo).

O resto do grupo só conseguiu alcançar a alcateia no terceiro turno e enquanto isso o ladrão ia disparando suas flechas. O elfo mago lançou mão flamejantes e aqui uma curiosidade á respeito do sistema de iniciativa e os magos:  A regra é clara em dizer que se o mago declarar que irá lançar uma magia e receber um ataque antes de chegar seu turno, a magia é perdida. TEMÇO! Com magias de primeiro círculo, tudo bem, afinal você rola inic. com +9 e dificilmente alguma outra criatura agirá antes e como não existe ataque de oportunidade, um mago consegue lançar magias a alvos adjacentes sem preocupações. Mas imagina o seu mago tentando soltar AQUELA bola de fogo (3º Círculo, ou seja, +7 de iniciativa) e rola um 1, ficando com 8 de iniciativa… Aqui o grupo vai precisar de tática combativa (tão criticada nos videogames-de-papel da vida) pra não deixar atacarem o mago antes dele agir. Massa né?
O clérigo caiu após receber 3 ataques no mesmo turno. O Homem de Armas teve um acerto crítico e fiz um teste de moral para os lobos. Estes falharam e o grupo foi poupado de um massacre.
O combate durou cerca de 7 rodadas. As 3 primeiras foram puramente narrativas mas quando os PJs começaram a se aglutinar, a coisa começou a complicar, então saquei minhas miniaturas e meu grid. Foi literalmente outro jogo. É possível sim jogar OD sem grid, mas eu pergunto… PRA QUÊ? Pra que complicar se dá pra facilitar? Caso você não tenha um grid e marcadores, você conseguirá jogar. O DM não vai complicar por demais os cenários dos combates para não perder a sanidade mas até aí tudo bem. Agora se você tem grid e minis faça um favor a você mesmo e USE-OS. Eu nem respeitei referencial de distancias, foi apenas um localizador para saber quem estava sendo atacado por quantos lobos e quem estava em que posição… Nada de desabonador usar um grid no OD. Gary Gygax usaria!

Findo o combate, entramos na parte do sistema de cura. No OD a cura é lenta. Sem magias ou poções então, é lentíssima. Faz parte do sistema. É pra ser assim. Aqui entram dois estilos de jogo e nenhum está errado, apesar do Mr. Pop achar que sim! No 4e os personagens iriam descansar e estariam em condições boas o suficiente pra seguir viagem, a aventura prosseguiria com mais ação, mais exploração, ou seja, mais aventura. No OD não, aqui eles foram obrigados a buscar uma vila e precisaram de 5 dias para curar o grupo todo (1d4+1 p.v. por dia e o PJ que ficou de enfermeira não pôde se curar). Esta parada os fez caminhar pela cidade, fazer contatos, perguntar sobre o elfo ladrão de grimórios, conhecer a região. Isso permitiu improviso, interação entre os jogadores e muitas tiradas engraçadas. No 4e não haveria todo este contato com NPCs e muito provavelmente não haveria tanta improvisação narrativa. No 4e haveria pelo menos mais um combate e o desenvolvimento do plot. No OD não houveram mais combates mas houve muita interação e investigação. Dois estilos válidos e que na minha opinião não se embatem.

A historia terminou com o grupo curando-se, descobrindo que o elfo misterioso tinha mesmo passado por ali porém decidiram não ir , por ora, atrás dele. Decidiram voltar para a cidade natal para receber sua recompensa e equiparem-se.

Notas engraçadas da sessão:

  • O Halfling ao encontrar um alce sobre cujos chifres haviam sido entalhadas runas mágicas: Olá alce, fala a minha língua? <Pausa de 10 minutos na sessão para as gargalhadas> Alce: Mmmmmmuuuuuuuu <Mais 10 minutos>
  • Anão Clérigo correndo para a batalha: POR MORADIM . <Corneta de chifre> FUOOOOOOOOM </Corneta de chifre>. DM: Então… uma SEGUNDA avalanche…
  • Anão Clérigo inspecionando uma gaita de osso, deixada pelo Elfo Misterioso: “<Passando em um teste de inteligencia> Vejam, esta gaita se torna uma adaga! O que será que faz este Bandolim?” Anão Homem de Armas: “Se essa porra virar um machado, é MEU!” (O bandolim era normal mas depois dessa, virou o machadão “El Caboing”)

Enfim, foi um ótimo jogo, nos divertimos bastante e o Old Dragon foi aprovado com louvores em nossa mesa. Como quero testar mais o sistema, fiz com que os personagens passassem de nível e vamos jogar a próxima sessão no nivel 2. Que venha!