Resenha – Busca Final
Busca Final
Autores: Giltônio Santos e Richard Garrell
96 páginas
Editora: Secular Games.
Como muitos de vocês sabem, desde o dia 07 de Fevereiro (e até o dia 20 de Março) está em Pré-Venda o RPG narrativo Busca Final, da Secular Games e este humilde cubo gelatinoso recebeu uma cópia em .pdf do livro! Apesar de ter ficado envaidecido e muito grato, pensei comigo: Merece uma resenha, mas não por isto pouparei-os de minha acidez, afinal o Rocha parou de me seguir no Twitter e o Giltônio nunca começou sou um blogueiro imparcial (Nope!).
O fato é que – já disse mais de uma vez – estou julgando livros pelo que eles são (ou se propõe a ser) e não pelo que eu imagino ou espero que eles sejam. Isto serve como um aviso, para que a Secular retire a trolagem ao D&D 4e , na segunda impressão ou então….
A Jornada de outrora.
Busca Final é um RPG Narrativo sobre a jornada de uma Compania (nonde os personagens-jogadores se inserem) em busca da resposta definitiva para a pergunta: “O que aconteceu com o mundo?”. O livro em si é uma jornada por um mar de influências, referências e ganchos para histórias épicas. Claro que muitas referências estão na cabeça de quem lê, mas é impossivel não pensar “O mundo seguiu adiante” enquanto se percorre o capítulo sobre os reinos de Othora. Em Busca Final, o mundo era mágico e fantástico quando de uma hora para outra a magia sumiu e isto afetou de uma forma ou outra o seu personagem. O mundo inteiro começou a “girar” em torno deste fato, mesmo que alguas facções tentem impedir a magia de retornar.
Como um jogo narrativo, tudo fica á cargo do grupo. A compania da qual fazem parte, o lider dela, a historia dos Protagonistas e dos Coadjuvantes, batalhas, etc… O narrador está ali mais para não deixar que a história fique estagnada do que para regular regras. O foco do jogo é a caminhada e não o destino. Você não conta apenas a sua história, você conta a jornada dos seus semelhantes, suas vitórias e fracassos. É um jogo inspirador, de conhecimento e re-conhecimento.
O Sistema dA Fortuna
O sistema de Busca Final utiliza cartas ao invés de dados. Não vou aqui me alongar á respeito do minimalista sistema (Saque uma carta, some com o atributo e obtenha 9 ou mais) pois ele é timido, quase não faz questão de aparecer. Porém os conceitos por detrás dele são de uma inventividade ímpar. O combate, por exemplo, resume-se ao saque de uma carta por cada personagem e pronto. Ao vencedor a narrativa! Por ser tão minimalista, o sistema provavelmente não agradará a todos os grupos. Eu penso que é possivel fazer um sistema mais complexo e estratégico usando cartas ( Heaven Earth é ótimo nisto) mas esta não foi a intenção dos autores. Os atributos por exemplo são todos conceituais: Você não testa sua Força, você testa sua Coragem. Você não testa sua Sabedoria, você testa sua Experiencia e isto sem dizer que cada atributo tem um naipe relacionado que inclina seu personagem para conceitos um pouco mais objetivos como Social, Mental, Fisico e Espiritual. Um conceito muito explorado é a sua Mão da Fortuna (cartas da mão que você pode utilizar em tstes) e o Baralho do Destino (Você saca uma carta do baralho para resolver um teste e pode ter até visões e presságios, how cool is that?) assim, por mais que você e seu grupo sejam mestres da narrativa compartilhada, uma hora vocês terão que sacar cartas e o inesperado chuta a porta da sua sessão.
O Duk e sua Compania
Aqui mora um dos conceitos mais inovadores deste jogo e o mais trabalhoso também. TODOS os jogadores vão interpretar o lider da Compania, hora ou outra. Este lider é o resposável direto pela moral da tropa e se ele falha, todos falham. Isto significa que todos os jogadores terão uma grande parcela de culpa sobre o andamento do jogo. Novamente, isto pode não ser bom para todos os grupos, uma vez que certos jogadores não gostam de ser o centro das atenções enquanto outros não veem a o momento de assumir as rédeas do mundo.
A compania por outro lado é de responsabilidade de todos e assim como o Duk ela tem atributos próprios e diferentes dos atributos dos jogadores, a sua jornada pode literalmente terminar se a sua Compania perder a fé e como eu disse anteriormente o Destino pode mudar de repente e ser uma cadela vadia de vez em quando.
Se o capitulo dos reinos pode remeter a Torre Negra e a o parte do Duk a Leônidas, podemos dizer que a Compania nos remete a Band of Brothers. “Currahee”
O Fim
Busca Final é todo estruturado para que você tenha uma história com começo meio e fim. É tão estruturado, na verdade que eu chego a ver o Busca Final quase como uma Dinamica de Grupo, mais do que um jogo. Eu não ficaria nada surpreso se algum diretor de Recursos Humanos utilizasse os conceitos de Busca Final para selecionar estagiarios, me peguei pensando nisto várias vezes pelo livro. Parece viagem mas vejam bem: No jogo você tem a meta final, que é encontrar a Verdade. A empresa tem sua Missão. No jogo você é parte responsável pelo sucesso da Compania, assim como cada funcionário é responsável pelo sucesso da empresa. Em Busca Final você eventualmente assumirá o papel de líder e pode conduzir ao sucesso ou ao fracasso. Você precisará lidar com situações inesperadas e contorná-las utilizando os atributos que te favorecem e mesmo após ser bem sucedido você precisará ser despojado e criativo para narrar a situação sem afetar o andamento do jogo. Diz se não dá uma dinâmica de grupo bastante interessante?
Minhas unica crítica é em relação ao modo de jogo. Busca Final não é um jogo casual. Você não inicia e termina uma jornada em uma noite e sai satisfeito com o resultado. Por ser um jogo narrativo ele demanda jogadores experientes, entrosados e que entendam que a estrela do jogo é a história e não os personagens.
Dito isto, o jogo é inovador e um verdadeiro marco dentro do RPG nacional. A escrita é fluida, e tanto os contos quanto as ilustrações quase translúcidas da Germana Vianna acertam em cheio para transmitir o tema. A capa é do Dan Ramos, nome que se consolida cada dia mais como ilustrador indispensável nessa nova leva de RPGs brasileiros.
No final do livro você sente como se tivesse lido o RPG baseado em um romance que já deveria ter lido e mesmo que não goste de jogos narrativos você se pega querendo jogar no mundo de Othora apenas para aproveitar todos os ganchos salpicados por toda a obra.
Busca Final é só inicio de um belo trabalho que a Editora Secular Games começa a desenvolver no Brasil. E não é que esses minerinho doidimais me despetaram a vontade de jugá um RPG narrativo? Bão demais!



